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Sidrolandia

Serra critica Dilma por assinar programa sem ler

No registro da candidatura, PT trocou programa de governo. Texto original apresentava propostas polêmicas.

G1

07 de Julho de 2010 - 14:32

No segundo dia de campanha oficial, nesta quarta-feira (7), durante caminhada no centro de Jundiaí (SP), o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, criticou a candidata do PT, Dilma Rousseff, por assinar um programa de governo sem ler.  A coordenação de campanha petista trocou as diretrizes para o programa de governo que haviam sido protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na segunda-feira (5).

"Achei incrivel, realmente. Porque você não assina um programa assim sem dar uma olhada naquilo que tem", disse o tucano. Por meio da assessoria, o TSE confirmou que foi entregue um novo documento.

Serra disse acreditar que o documento entregue inicialmente se tratava do original com as propostas "autênticas" da candidata petista.

"Na verdade, acho que o propósito era entregar aquele mesmo. Não foi entregue outra versão. Demorou muito. Foi entregue uma versão trabalhada para tirar essas coisas mais polêmicas e que são autenticamente ideias do PT. A própria Dilma, quando foi ministra, assinou várias destas propostas para o presidente Lula e está lá encaminhado. E ontem de novo", afirmou ele.

A coordenação da petista havia protocolado o programa do partido aprovado em congresso no mês de fevereiro. O documento previa mais impostos para fortunas, fim da criminalização de movimentos sociais; maior controle sobre a mídia; e confirmava apoio à jornada de trabalho de 40 horas sem redução de salários.

A assessoria da campanha disse que, “por equívoco”, foi entregue o programa errado. O texto das novas diretrizes, disponíveis no site da campanha, é basicamente o mesmo, mas com diferenças significativas de tom. Alguns pontos considerados polêmicos foram excluídos e frases mais críticas, alteradas.

"O programa apresentado estava errado. Apresentaram o programa do Congresso do PT, de fevereiro, ao invés do programa da campanha", afirmou Dilma na terça-feira (6), em Porto Alegre (RS). Sem citar nomes, ela disse que "a pessoa, ao tirar do site, colocou o programa do PT, e não o programa da campanha."

Entre as frases modificadas estão duras críticas à gestão anterior. O texto antigo, do PT, dizia: “A partir dos anos 90, proliferaram teses conservadoras e neoliberais que comprometeram os investimentos produtivos, quebraram parte do parque industrial, sucatearam a infra-estrutura física”. O novo foi alterado para: “A partir dos anos 90, os investimentos produtivos foram reduzidos. O país sofreu restrições no seu parque industrial”.

Saneamento
Serra utilizou sua passagem por Jundiaí para defender a redução de impostos federais sobre o sistema de saneamento de estados e municípios. “Hoje o saneamento é tributado, há impostos sobre saneamento do governo federal que retiram do sistema R$ 2 bilhões [por ano]. A minha proposta, que aliás fiz em 2007 para o presidente Lula, era retirar o PIS/Cofins sobre saneamento para poder investir esse montante a fundo perdido pelo Brasil afora”, declarou o tucano.

O candidato afirmou que o déficit brasileiro em saneamento é imenso. Citou que metade da população “não tem rede de esgoto tratado nem nada”. Ele criticou ainda o governo federal por não ter promovido a desoneração. “Se você não fez em 7 anos em meio, é fácil, porque não fez?”

Loteamento
Durante a entrevista, que durou oito minutos, Serra também voltou a criticar, desta vez com tom didático, o que chama de aparelhamento da máquina pública pelo governo federal. “Aparelhado, às vezes as pessoas não entendem. Significa loteado entre partidos. Ou seja, não é segundo sua capacidade, sua experiência”, afirmou. Serra reconheceu, contudo, que a prática de distribuição de cargos segundo critérios políticos não é nova no país. “O PT não inventou [o loteamento político], mas reforçou, reforçou muito. Nunca houve tanto.”

Serra também defendeu a viabilidade de sua proposta de inserir mais 15 milhões de famílias no programa Bolsa Família. Ele destacou que é preciso ter um bom sistema de cadastramento e um bom sistema de distribuição. “Precisa trazer estados e municípios para trabalho. Enfim, trabalhando com competência, do ponto de vista de recursos, não é nada abusivo.”

Caminhada
O tucano chegou a Jundiaí por volta das 12h30, dez minutos depois do candidato tucano ao governo estadual Alckmin e os postulantes ao senado Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia. Caminhando com dificuldade por causa do assédio de fotógrafos e cinegrafistas, Serra tomou café em uma lanchonete e entrou em outras quatro lojas.

Em uma ótica, a gerente não escondeu o incômodo pelo excesso de pessoas no local. Após a saída do candidato reclamava: “pelo amor de Deus”. Em uma loja de bolsas, o palmeirense Serra questionou o dono porque só havia mochilas do Corinthians no local.

Protesto
Durante a passagem do candidato, um professor da cidade filiado ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeosp), segurava uma faixa com os dizeres. Serra mente para o povo, educação pede socorro. “Quando fiquei sabendo que ele vinha, estava no intervalo da aula, saí 12h20 e vim para cá, afirmou Anderson Grange, de 29 anos, que também gritava palavras de ordem contra o tucano e era contestado por uma senhora que gritava “Lula mentiroso”.