Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Sexta, 7 de Maio de 2021

Sidrolandia

Temer nega participação em episódio com Yunes e diz que doação ao PMDB foi legal

Ex-assessor da Presidência prestou depoimento à PGR e disse ter recebido "documentos" de doleiro a pedido de Eliseu Padilha; delator afirmou, porém, que envelope continha dinheiro.

G1

24 de Fevereiro de 2017 - 17:00

O presidente Michel Temer negou nesta sexta-feira (24), por meio de nota, ter participado de episódio envolvendo uma suposta entrega de dinheiro ilícito no escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

A nota foi divulgada após o teor do depoimento de Yunes à Procuradoria-Geral da República ter sido divulgado pela imprensa.

À PGR, ele disse que recebeu “documentos” do doleiro Lúcio Funaro a pedido do atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, durante a campanha presidencial de 2014.

Mas, segundo delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, havia dinheiro no envelope. Yunes disse desconhecer o conteúdo do envelope, entregue no escritório dele, segundo afirmou, a pedido de Eliseu Padilha e retirado posteriormente por um emissário.

Cláudio Melo Filho afirmou na delação que, em um jantar no Palácio do Jaburu, Temer solicitou ao então presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht pagamento ao PMDB. O valor solicitado, segundo o delator, era de R$ 10 milhões. Parte desse valor deveria ser entregue a Padilha.

De acordo com o delator, Yunes recebeu em seu escritório, em dinheiro vivo, R$ 4 milhões que seriam a parte que cabia a Padilha do valor acertado entre Temer e Marcelo Odebrecht. Após a revelação do conteúdo da delação de Melo, em dezembro, José Yunes pediu demissão do cargo de assessor especial da Presidência.

Segundo a nota da Presidência, Temer afirma que, quando presidente do PMDB, pediu “auxílio formal e oficial” à Odebrecht. Ele diz ainda que “não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral”.

De acordo com o Planalto, a construtora doou R$ 11,3 milhões ao PMDB em 2014 e, segundo a assessoria do presidente, todo o valor foi declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Padilha

Citado por José Yunes e Cláudio Melo Filho, o ministro-chefe da Casa Civil deve ser alvo de pedido de abertura de inquérito nos próximos dias.

O pedido de investigação deve ser enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal após o carnaval.

Procurada pelo G1, a assessoria de Padilha disse que o ministro não vai se pronunciar sobre a fala de Yunes.

A TV Globo apurou que a PGR já iria pedir a abertura de inquérito antes mesmo do depoimento de Yunes, devido aos depoimentos dos delatores da Odebrecht. O pedido, agora, deve incluir a fala de José Yunes à Procuradoria.

Nota

Leia abaixo a nota divulgada pela Presidência da República:

Nota à Imprensa

Quando presidente do PMDB, Michel Temer pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto Odebrecht. Não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. A Odebrecht doou R$ 11,3 milhões ao PMDB em 2014. Tudo declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República