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Sidrolandia

Trabalhadores se mobilizam para bloquear entrada de funcionários na Santa Olinda

É mais tentativa de chamar atenção das autoridades para o drama que estão enfrentando depois de serem demitidos pela empresa no último dia 20.

Flávio Paes/Região News

15 de Julho de 2013 - 08:49

Sem perspectiva de receber as indenizações das suas rescisões de contrato, incluindo três meses de salários em atraso, pessimistas com as chances de reativação da indústria (diante do desinteresse no seu arrendamento ou compra), os 165 trabalhadores da Usina Santa Olinda de Quebra Coco, se organizam para promover nesta segunda-feira uma nova mobilização.

É mais tentativa de chamar atenção das autoridades para o drama que estão enfrentando depois de serem demitidos pela empresa no último dia 20. Eles prometem se mobilizar logo nas primeiras horas da manhã para bloquear a entrada dos 35 funcionários que a empresa ainda manteve após sua virtual falência.

No último dia 25 os trabalhadores fizeram uma manifestação que por mais de três horas interrompeu o trânsito na saída para Maracaju, provocando extensas filas de congestionamento nos dois sentidos. Eles ficaram desanimados depois que se reuniram com a secretária de Produção, Tereza Cristina e tomaram conhecimento do desinteresse do Grupo Tonon (dono de uma usina em Vista Alegre, distrito de Maracaju) no arrendamento ou compra da empresa.

O negócio chegou a ser anunciado pelo governador André Puccinelli durante a solenidade de assinatura do contrato para construção de 56 casas no Loteamento Altos da Figueira. Na sexta-feira a Procuradoria Regional do Trabalho entrou com uma medida cautelar incidental com pedido de liminar, para que o juiz do Trabalho da 7ª Vara, Renato Luiz Miyasato, determine o “arresto” (apreensão judicial) para o pagamento dos funcionários, da receita que vier a ser obtida com a venda das 280 mil toneladas de cana que poderão ser cortados nos 6 mil hectares plantados na usina.

A venda desta cana, ao preço médio de R$ 20,00 a tonelada, devem render aproximadamente R$ 5,6 milhões, dinheiro insuficiente para quitar todo o passivo trabalhista da empresa, mas que permitiria pagar pelos menos os salários atrasados. O representante da empresa durante audiência na Justiça do Trabalho, revelou que as negociações para a compra da safra estavam sendo mantidas com os grupos ETH ou Dreyfus, proprietários de usinas em Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante.

Para ser um negócio viável, a cana não pode ser vendida para uma indústria que fique a mais de 60 quilômetros. A Santa Olinda já teve sua falência decretada pelo juiz da 8ª Vara Cível da Comarca de São José do Rio Preto, mas a sentença está suspensa por liminar. A empresa está em processo de recuperação judicial desde 2009.

Há quatro anos vem capengando, em dezembro de 2012 demitiu 349 funcionários. Em abril se reuniu com os funcionários remanescentes, na presença do procurador do Trabalho Paulo Douglas e apresentou duas propostas: quem aceitasse permanecer, receberia os salários de fevereiros e as férias, até o dia 11 de abril; o de março, até 25 de abril; o 13º de 2011 e 2012 seria pago até 13 de junho, além de um abono de R$ 400,00. Quem resolvesse sair, só receberia em duas parcelas (em setembro de 2014 e 2015).

Um grupo de 205 funcionários aceitou permanecer, mas o cronograma não foi cumprido. Foram surpreendidos no último dia 20 de junho com o anúncio de que a empresa encerraria suas atividades, demitindo 165 e mantendo 30 para preservar o patrimônio. O fornecimento de energia foi cortado pela Enersul porque há uma dívida de R$ 3 milhões pendente e o estoque de 20 carretas de açúcar foi vendido e o dinheiro obtido, R$ 300 mil, não pagas nem um mês de salário.