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Sidrolandia

Zona rural que garantiu 55,44% dos votos a Marcelo já critica pontes interditadas e travessões intransitáveis

Os pedidos de providências são atestados por fotos e vídeos onde estão retratadas as dificuldades vivenciadas no cotidiano dos moradores.

Flávio Paes/Região News

12 de Fevereiro de 2017 - 20:29

Bastaram 43 dias de gestão e um período de chuva intensa nas últimas semanas, para surgirem sinais do esgotamento do ciclo de lua de mel da gestão do prefeito Marcelo Ascoli com a população dos assentamentos. Na zona rural Marcelo obteve 54,4% dos votos válidos, impondo uma dianteira de 1.215 sufrágios sobre seu adversário direto, o ex-prefeito Ari Basso.

Os motivos, que desencadearam as cobranças são duas pontes sobre o Córrego Arrozal interditadas, o que dificulta o acesso à sede do Assentamento São Pedro aumentando em pelo menos 4 quilômetros o trajeto até a sede (onde fica a escola).

Há ainda, vários trechos dos travessões transformados em atoleiros onde a passagem de veículos de passeio só e possível com o uso de tratores. No Vista Alegre, um caminhão carregado de frango quase tombou. Com o período de chuva, os caminhões carregados de frangos com destino ao Frigorífico da JBS, estão sendo rebocados nos trechos mais críticos por tratores.

Foto: Divulgação/WhatsApp

Zona rural que garantiu 55,44% dos votos a Marcelo já critica pontes interditadas e travessões intransitáveis

Os pedidos de providências são atestados por fotos e vídeos onde estão retratadas as dificuldades vivenciadas no cotidiano dos moradores, com dificuldade para escoar a produção. Cresce a preocupação que não haja tempo hábil de deixar os travessões em condições de passagem para transportar os alunos a partir do dia 20, quando começa o ano letivo. As aulas foram adiadas por uma semana, justamente a pretexto, de permitir a recuperação dos trechos em situação crítica de manutenção.

Entre os que recorreram às redes sociais para manifestar indignação, está o pequeno produtor Celino Silva, morador do lote 132 do Assentamento São Pedro. Em vídeo ele registrou na última sexta-feira que foi preciso usar um trator para retirar do atoleiro um veículo quase engolido pelo lamaçal.

Em tom de desabafo, numa linguagem telegráfica, ele lembrou que o prefeito esteve na sua casa pedindo voto e cobrou providências: “Prefeito você passou aqui esteve na minha casa. Vai começar as aulas (sic). Pelo amor de Deus não vai dar para suportar. Esse é um descaso. Chega o Ari Basso. Agora você tem que ser diferente. Marcelo, se quiser ficar mais na prefeitura. Aguardem mais vídeos, já perdi muito tempo”.

Dona Mari Zimmer, do Assentamento Vista Alegre, reclama das condições dos travessões, lembra que já reclamou da situação na Secretaria de Infraestrutura. Ela documentou a passagem de um caminhão carregado de frango que quase tombou num atoleiro. Cobra providências porque prevê dificuldades para as crianças chegarem ás escolas e prejuízos econômicos para os donos de aviário no próximo ciclo de produção em 60 dias.

Foto Divulgação/WhatsApp

Zona rural que garantiu 55,44% dos votos a Marcelo já critica pontes interditadas e travessões intransitáveis

Ela dá seu testemunho, num tom de desabafo a sua postagem, em que apela ao prefeito. “Na tentativa de salvar a carga viva, o motorista usou um desvio porque a estrada vicinal está intransitável. Se atolasse de vez, essa carga teria de ser baldeada. E não foi por falta de ir na Secretaria de Obras. Fomos lá avisar o grande fluxo de cargas na região do Vista Alegre onde a previsão era de chuva. Tai aí o resultado”.

Um internauta saiu em defesa do prefeito, alegando que não se poderia cobrar de Marcelo Ascoli, após 40 dias de gestão, o que não se fez em quatro anos da gestão passada. A moradora rebate firme para tirar o caráter eleitoral da sua reivindicação. Ela deixa claro que sua preocupação é apenas garantir o escoamento da produção. “Não é um debate político sobre quem é melhor ou pior. Não usem essa postagem de socorro para desavenças políticas. Respeito muito os administradores da minha cidade o antes e o depois é o que vai vir”.

Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rosa Marques, há duas semanas as chuvas comprometeram as condições de travessia em duas pontes sobre o Córrego Arrozal. Uma delas, fica na SD-13, que dá acesso ao Assentamento São Pedro e ao Assentamento Capão Bonito 2. É uma ponte de seis metros, construída em maio de 2015, que substituiu a travessia improvisada existente há 20 anos. A estrutura de madeira não resistiu à força da enxurrada.

A outra ponte interditada, também sobre o mesmo córrego, liga o Assentamento Vacaria ao Assentamento São Pedro e serve de itinerário para o transporte escolar. As crianças do Vacaria, estudam na escola que fica na sede do São Pedro. Se até o dia 20 a situação não for normalizada o trajeto do ônibus escolar vai aumentar 4 quilômetros, obrigando as crianças a levantarem mais cedo para não perderem o primeiro tempo de aula.

As chuvas interromperam a colheita da soja que está na sua fase inicial. Desde sexta-feira duas carretas estão retidas no lote de dona Marinês Parizolli, no Capão Bonito 2, porque não tem como atravessar os 30 quilômetros de vicinais até chegar ao asfalto da MS-162.