AGRONEGÓCIO
Crédito rural soma R$ 433 bilhões na safra 2025/2026
Financiamentos para industrialização crescem quase 60%, enquanto produtores reduzem busca por crédito de investimento.
Capital News
11 de Junho de 2026 - 09:32

As contratações de crédito rural destinadas à agricultura empresarial alcançaram R$ 433 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, no âmbito do Plano Safra 2025/2026. O volume representa uma queda de 5% em comparação aos R$ 458,1 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior.
Os dados constam no Boletim de Desempenho do Crédito Rural, elaborado pelo Departamento de Financiamento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.
O principal destaque do período foi o avanço dos financiamentos destinados à industrialização da produção agropecuária. As contratações passaram de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões, crescimento de 59,5% em relação ao ciclo anterior. A modalidade também foi a única a registrar aumento no número de contratos, com alta de 17,7%.
Segundo o levantamento, o resultado reflete o fortalecimento das atividades de processamento e agregação de valor aos produtos agropecuários, com participação significativa das cooperativas.
Outro movimento observado foi o crescimento das Cédulas de Produto Rural (CPR), que alcançaram R$ 185,2 bilhões em contratações, avanço de 8% na comparação com a safra passada. Com isso, a CPR passou a representar 42,8% do total de recursos liberados, consolidando-se como o principal instrumento de financiamento do custeio agrícola.
Somadas às operações tradicionais de custeio, as CPRs movimentaram R$ 322,7 bilhões destinados ao financiamento da produção, registrando recuo de apenas 2,1% em relação ao ciclo anterior.
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) também apresentou desempenho positivo. As concessões chegaram a R$ 56,4 bilhões, crescimento de 4,3%, impulsionado pelas medidas adotadas no Plano Safra para ampliar a oferta de recursos aos médios produtores.
Por outro lado, os programas de investimento registraram retração de 28,1%. De acordo com o boletim, a redução está associada à cautela dos produtores diante das taxas de juros mais elevadas e ao aumento dos custos de produção.
Entre os programas com maiores quedas estão o Proirriga, com redução de 56%, o Prodecoop, que recuou 54%, e o Moderfrota, também com queda de 54%.
O levantamento aponta ainda que a menor procura por financiamentos está relacionada ao cenário de juros elevados, à maior seletividade das instituições financeiras, ao aumento da inadimplência e às incertezas provocadas pela instabilidade econômica internacional e pelos riscos climáticos enfrentados pelo setor nos últimos anos.
Entre as fontes de recursos, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada registrou forte expansão, saltando de R$ 927 milhões para R$ 28,8 bilhões, tornando-se a segunda principal fonte de recursos controlados do crédito rural.
Já na distribuição regional dos financiamentos, excluindo as CPRs, a Região Sul liderou tanto em volume financeiro quanto em número de operações, com R$ 74,2 bilhões contratados e mais de 131 mil contratos formalizados. O Nordeste apresentou a maior retração entre as regiões, com queda de 26% no volume de recursos liberados em comparação à safra anterior.




