BRASIL
Daniel Vorcaro planejou simular assalto para espancar jornalista, revela PF
Diálogos interceptados pela Polícia Federal motivaram prisão do banqueiro.
Midiamax
04 de Março de 2026 - 14:37

Diálogos interceptados pela Polícia Federal reveleram que o banqueiro Daniel Vorcaro tinha a intenção de retaliar o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, em função do seu trabalho investigativo sobre os escândalos do Banco Master. Em uma das conversas, o empresário afirmou que queria colocar criminosos na captura de Lauro para espancá-lo.
“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele. Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse Vorcaro a um sicário identificado como Mourão. Trata-se de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, vulgo “Felipe Mourão”.
A conversa aconteceu num grupo em que estavam também um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição, um policial civil aposentado, apontado como responsável por executar ações de caráter miliciano, além do pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4), em nova fase da Operação Compliance Zero. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que afirmou que os diálogos sugestivos à prática de crime contra o jornalista tinham a finalidade de “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
Em nota, O Globo repudiou o plano de agressão contra o colunista e afirmou que “os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”.
Além do crime de ameaça, nota da PF inclui suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Nesta nova ação da PF, foi determinado o sequestro e bloqueio de bens avaliados em até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado. A preocupação da investigação é garantir a preservação de valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Segundo O Globo, a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), inclui o afastamento de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Belline Santana, que foi chefe do Desup (Departamento de Supervisão Bancária).
Ambos já estavam fora de seus cargos e sob a mira de investigação interna na autoridade monetária.




