CAMPO GRANDE
Golpista se inspira em livro americano para aplicar fraudes
Ela confessou à polícia que utilizou o livro como referência para estruturar as histórias.
G1 MS
02 de Março de 2026 - 08:27

Uma mulher foi condenada por estelionato em Campo Grande após aplicar golpes durante quase três anos. Segundo a própria acusada, ela se inspirou em um livro americano para criar as histórias usadas nas fraudes.
A decisão é da 2ª Vara Criminal da Capital. De acordo com a sentença do juiz Deyvis Ecco, a ré montou um esquema baseado em narrativas dramáticas para comover e convencer as vítimas a entregar dinheiro.
Durante a investigação, ela confessou à polícia que utilizou como referência o livro 'A Câmara de Gás' para estruturar as histórias. A partir da leitura, passou a criar enredos cada vez mais elaborados, explorando temas como doença, morte, sofrimento e disputas familiares para despertar compaixão e urgência.
Segundo o processo, as mentiras envolviam inventários inexistentes, doenças graves, mortes falsas e até crianças fictícias. Em um dos episódios considerados mais cruéis, ela simulou a morte de uma criança que nunca existiu para pedir dinheiro para um suposto funeral.
Para tornar as histórias mais convincentes, a mulher chegou a se passar por uma criança em mensagens e cartas escritas à mão, alterando a forma de escrever para criar vínculo emocional com as vítimas. A polícia também apreendeu um carimbo médico falsificado, usado para dar aparência de veracidade a pedidos de dinheiro para tratamentos de saúde urgentes.
Ainda em depoimento, a acusada admitiu que usava o chamado “conto da desgraça” como meio de vida, deixando claro que os golpes eram planejados e repetidos ao longo dos anos. O prejuízo foi alto. Uma das vítimas entregou mais de R$ 412 mil à ré. Para arcar com empréstimos feitos em favor da acusada, precisou vender um imóvel.
Ao analisar provas como confissão, laudos e documentos bancários, o juiz concluiu que o caso não se tratava de ajuda espontânea, mas de um esquema estruturado com base em manipulação emocional.
A mulher foi condenada a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 258 dias-multa.




