ECONOMIA
Aneel pode aprovar venda da Enersul, mas vai vetar manobras financeiras
A possibilidade de compartilhamento de estrutura foi motivo de alerta por parte do interventor na Enersul, Jerson Kelman.
Campo Grande News
29 de Novembro de 2013 - 13:39
Manobras financeiras entre as oito empresas do Grupo Rede, que estão em processo para ser repassadas à Energisa, serão vetadas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). No ano passado, a Enersul transferiu R$ R$ 82 milhões para socorrer a Celpa (Centrais Elétricas do Pará), que também pertencia ao Grupo Rede. A movimentação abalou as finanças da empresa de Mato Grosso do Sul, que, após quatro anos de bom desempenho, amargou prejuízo de R$ 16,3 milhões.
Não pode. Cada concessão gera o seu dinheiro. Não pode ser compartilhado por outra empresa. Antes, teve essa falha. Teve alguma contaminação sim e foi um dos motivos para intervenção, afirma o diretor da agência, José Jurhosa, que participou hoje, em Campo Grande, da 2ª Câmara Técnica de Conselhos de Consumidores no MS.
Segundo ele, o plano da Energisa não prevê esse modelo de gestão. Nesta sexta-feira, às 23h59, encerra-se a consulta pública sobre a proposta da empresa que quer assumir as empresas, que estão sob intervenção desde agosto de 2012.
A possibilidade de compartilhamento de estrutura foi motivo de alerta por parte do interventor na Enersul, Jerson Kelman. A experiência acumulada nas intervenções no Grupo Rede demonstra que o compartilhamento só deve ser admitido pela Aneel se houver real condição para intensificar a fiscalização sobre a nova maneira de gerir distribuidoras de energia elétrica, afirma, em documento denominado Comentários do Interventor da Enersul.
Kelman também aponta dificuldade no programa de investimentos. O investimento projetado pela Energisa para o período de 2013 a 2017 precisa ser revisto, pois é insuficiente para fazer frente às necessidades da concessionária em R$ 154 milhões.
Empregos e dívidas Quanto a demissões, a partir da reestruturação da empresa, o diretor da Aneel descarta cortes no quadro de funcionários. O plano não fala em demissões. Só se tiver alguma distribuidora extremamente inchada. Mas acredito que não seja o caso das distribuidoras, que são bastante enxutas, avalia José Jurhosa.
Atualmente, a Enersul conta com aproximadamente 1,1 mil funcionários diretos. A possibilidade de cortes foi levantada pelo Sinergia/MS (Sindicato dos Eletricitários de Mato Grosso do Sul), que classifica as proposta da Energisa como indecentes.
De acordo com o diretor da Aneel, todas as dívidas serão ser quitadas. No Estado, por exemplo, a Enersul assumiu compromisso de pagar R$ 72 milhões até 2016 para indenizar os produtores rurais pelas redes construídas no âmbito do programa de universalização.
E a conta? - O plano da Energisa tem preocupação muito forte em não ter impacto para o consumidor. Ela está muito preocupada e pediu uma série de pontos para que a Aneel excepcionalize. Para não ter aumento de custo. Em MS, a tarifa já é bastante elevada. Nesse momento, acredito que não vai ter impacto nenhum, afirma José Jurhosa.
Segundo a presidente do Conselho de Consumidores de Mato Grosso do Sul, Rosimeire Cecília da Costa, o único aumento que o consumidor deve esperar é o reajuste tarifário anual, que ocorre em abril. Ela enfatiza que neste ano houve a revisão tarifária, realizada de quatro em quatro anos, com redução entre 18% e 22% para os consumidores.
Proposta Conforme o plano de recuperação da Energisa, o saldo devedor dos empréstimos e financiamentos da Enersul em 30 de junho de 2013 era de R$571,5 milhões, dos quais 25% (R$202 milhões) vencem até dezembro de 2014.
Para diminuir o endividamento, a proposta é fazer uma nova dívida, cobrindo R$ 474 milhões. A Energisa vai investir R$ 1,1 bilhão nas oito empresas. A Enersul atende a 94,4% da população de Mato Grosso do Sul, num total de 2,4 milhões de habitantes. O Grupo Rede assumiu o controle da Enersul em 2008.




