ECONOMIA
Baixa produção estadual, força indústria de Sidrolândia importar arroz do Paraguai
O arroz paraguaio, segundo o empresário Eduardo Terra, tem um preço mais competitivo que o trazido da Argentina e do Uruguai.
Flávio Paes/Região News
03 de Julho de 2013 - 13:17
O consumidor de Mato Grosso do Sul está comprando nos supermercados, arroz importado do Paraguai por uma indústria arrozeira sediada em Sidrolândia (a Cotag) que nos primeiros cinco meses de 2013, adquiriu 155 toneladas (155 mil quilos) da produção dos rizicultores paraguaios pagando 60 mil e 400 dólares. Metade do consumo estadual é garantido por importações de países do Mercosul: Paraguai, Argentina e Uruguai.
O Paraguai produz atualmente entre 500 e 600 mil toneladas de arroz por safra, produção concentrada na região de Concepcion que tem como foco de comercialização o mercado brasileiro, usufruindo das vantagens tributárias asseguradas aos países do Mercosul. O arroz paraguaio, segundo o empresário Eduardo Terra, dependendo do comportamento do dólar, tem um preço mais competitivo que o trazido da Argentina e do Uruguai (outros fornecedores tradicionais do Brasil) e do Rio Grande do Sul, que abastece boa parte do mercado sul-mato-grossense e brasileiro.
Para as indústrias de Mato Grosso do Sul, trazer o grão do Paraguai fica mais barato porque o frete fica mais em conta. Sidrolândia, por exemplo, está a aproximadamente 1.000 quilômetros de Concepcion, enquanto Uruguaiana, um dos maiores polos produtores gaúchos, fica a 1.500 quilômetros. O Estado, que chegou a produzir 300 mil toneladas de arroz, atualmente colhe 90 mil toneladas, por safra, conforme cálculos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Hoje a área plantada do estado com a cultura mal chega a 17 mil hectares, três vezes menor do que já teve. Eduardo Terra acredita que o Governo do Estado deveria estimular o agricultor a voltar a produzir arroz. Um dos mecanismos seria estender os incentivos fiscais desfrutados pela indústria para toda a cadeia da rizicultura.
Nas vendas do mercado interno as indústrias têm 67% na alíquota do ICMS sobre o valor agregado. Ou, seja, considerando que uma saca de arroz custe R$ 35,00, se cobra 7% de imposto sobre R$ 30,00 e 2,37% sobre os R$ 5,00 agregados ao preço depois do beneficiamento. As empresas também abate créditos com o imposto incidente sobe a compra das embalagens.
Para estimular as indústrias retomarem os investimentos, Eduardo Terra acredita que o Estado deveria adotar medidas de estímulos como as de Mato Grosso e Goiás, onde foram criados mecanismos tributários para garantir competitividade diante das concorrentes do Rio Grande do Sul. As cinco empresas sul-mato-grossenses têm capacidade para processar 25 mil toneladas, mas funcionam com capacidade ociosa, produzindo 10 mil toneladas.
Balança comercial
Em exportações, Sidrolândia vendeu para o exterior nos primeiros cinco meses do ano, 42,8 milhões de dólares, incremento de 9,50%, sobre os 40,1 milhões negociados em igual período de 2012. Em compensação, houve queda no volume de vendas da principal pauta das exportações: o frango abatido no Frigorífico da Seara.
A participação caiu de 94,60% para 75% da balança, rendendo US$ 32,9 milhões, quando ano passado, a receita chegou a US$ 37,9 milhões. Esta queda foi compensada pelas exportações de milho (8,6 milhões de dólares, 19,80%) e da soja (US$ 1,2 milhão, 2,75% do total). A quantidade de frango abatido caiu de 15 mil para 11,9 mil toneladas.




