ECONOMIA
Balança comercial de MS tem maior saldo da história e fecha 2025 em US$ 8 bilhões
O resultado é fruto da alta das exportações do Estado em 2025.
Correio do Estado
13 de Janeiro de 2026 - 08:11

A balança comercial de Mato Grosso do Sul, que é o registro das transações de um país com o exterior, ou seja, a comparação do valor de exportações (vendas) com o das importações (vendas), atingiu o maior saldo da história.
O valor acumulado em 2025 chegou a US$ 8 bilhões, superando o recorde anterior registrado em 2023, de US$ 7,7 bilhões.
A marca inédita é fruto da alta registrada nas exportações do Estado, alcançando US$ 10,7 bilhões em vendas para o exterior, um crescimento de 7,51% em relação ao ano de 2024, que chegou a US$ 9,8 bilhões.
Mesmo em um cenário adverso, marcado por discussões e restrições comerciais, os resultados foram positivos, como mostrou a Carta de Conjuntura do Comércio Exterior elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
O principal destino dos produtos sul-mato-grossenses foi a China, responsável por 48,57% das exportações do Estado, seguido pelos Estados Unidos.
Além disso, a Semadesc ressaltou a participação da União Europeia, com 3,76 milhões de toneladas de produtos exportados pelo Estado, totalizando US$ 1,3 bilhão, enquanto 77 mil toneladas de produtos do bloco europeu foram comprados por Mato Grosso do Sul, ou seja, US$ 492 milhões.
O secretário da Secretaria, Jaime Verruck, avaliou que a aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve favorecer ainda mais Mato Grosso do Sul, ampliando as exportações.
“A primeira expectativa do Governo do Estado é de que, a partir da aprovação desse acordo, nós consigamos ampliar [as exportações]. Na verdade, nós temos uma capacidade de ampliação do mercado, uma possibilidade de ampliação de produtos que serão mais competitivos. É importante entender que a redução de tarifa significa aumentar a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses na União Europeia”, ponderou Verruck.
Negociações
Mato Grosso do Sul manteve relações comerciais com 23 países da União Europeia em 2025, sendo 20 como destinos de exportações e 23 como origens de importações, tendo como base exportadora três grandes cadeias produtivas.
Em primeiro lugar, a celulose foi o produto mais exportado, com 1 milhão de toneladas e US$ 627 milhões em faturamento. Em seguida, a soja faturou US$ 310 milhões, com 917 il toneladas exportadas, seguida pela carne bovina, com 14 mil toneladas exportadas, que totalizaram US$ 126 milhões.
Por outro lado, com relação às importações, Mato Grosso do Sul acumulou um total de US$ 2,8 bilhões, valor 3,4% menor em relação a 2024, causado pela contração no volume importado de gás natural, principal produto importado.
Em seguida, aparecem as máquinas voltadas à indústria de papel e celulose, especialmente vindos da União Europeia, e o cobre, devido à presença de uma indústria consolidada de fios de cobre no Estado.
Do bloco europeu, também foram destaque das importações os maquinários para aquecimento e resfriamento de equipamentos, caldeiras de geradores de vapor e outros equipamentos e implementos para a indústria.
A Holanda (31,7%) e a Itália (31,4%) foram as principais portas de entrada de produtos sul-mato-grossenses no mercado europeu no ano passado. Já a Finlândia, que domina a tecnologia de produção de máquinas para a indústria de celulose, forneceu 67% dos produtos comprados da União Europeia pelo Estado.
Verruck ainda destacou que talvez haja espaço para exportações do etanol produzido no Estado, voltado à descarbonização da economia.
Outra medida que pode corroborar para a inserção de mais produtos sul-mato-grossenses em outros países é a certificação de propriedades agrícolas dentro dos padrões europeus de produção, o que foi alinhado durante a COP30 realizada em Belém, em novembro do ano passado.
“O Estado já fez um acordo com a União Europeia e avança na certificação. Vamos ter um certificado oficial nessas propriedades que não tiveram desmatamento depois de 2020 e estarão habilitadas para exportar seus produtos ao mercado europeu”, afirmou.




