ECONOMIA
Bovespa fecha em forte alta de mais de 6% com crise política
Índice passou marca dos 50 mil pontos, maior patamar desde julho de 2015. Para mercado, crise política aumenta possibilidade de impeachment.
G1
17 de Março de 2016 - 15:53
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em forte alta, reflexo do agravamento da crise política após a divulgação de conversas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravadas no âmbito da operação Lava Jato e a suspensão de sua posse como ministro da Casa Civil. Bancos, Petrobras e Vale sustentaram o avanço. O principal índice de ações da bolsa subiu 6,6%, a 50.913 pontos. Veja a cotação
É o maior patamar desde 22 de julho de 2015, quando o Ibovespa terminou aos 50.915 pontos.
O mercado também reagiu à abertura da comissão que votará o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e à decisão que barrou a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil.
Entre as gravações divulgadas, está conversa com a presidente na qual ela diz que estava enviando um emissário para entregar a Lula o termo de posse no comando da Casa Civil da Presidência para ele usar "em caso de necessidade".
Segundo a Reuters, os investidores entendem que os últimos desdobramentos elevam a probabilidade de um impeachment da presidente, o que faz a bolsa subir. Para o mercado, mudanças nas perspectivas econômicas do país passam por um troca do governo, avalia a agência.
"O Brasil viveu ontem o auge da sua crise política. Hoje o mercado deve precificar tudo o que aconteceu nessas últimas horas", destacou o Credit Suisse em nota a clientes, segundo a Reuters, citando que o iShares MSCI Brazil Capped ETF, fundo de índice com ações brasileiras no exterior, subiu quase 6% após o fechamento do pregão regular.
Dólar
O dólar fechou em baixa pelo segundo dia consecutivo nesta quinta-feira (17), com investidores apostando mais forte na eventual troca de governo após a divulgação de conversa entre Lula e Dilma. A moeda norte-americana caiu 2,3%, vendida a R$ 3,6533.
Destaques da bolsa
Perto do fechamento, Banco do Brasil saltava mais de 16%, liderando os ganhos do Ibovespa e refletindo a avaliação entre investidores sobre os últimos desdobramentos na esfera política.
Petrobras mostrava as preferenciais disparando mais de 11% e os papéis ordinários subindo acima de 9%, também sensíveis ao noticiário político, tendo ainda como pano de fundo o avanço do petróleo no exterior.
Bradesco e Itaú e subiam em torno de 13% e 11%, respectivamente, reforçando a trajetória positiva no Ibovespa, dado o peso relevante que ambos têm no índice.
Vale tinha as ações preferenciais de classe A com avanço de cerca de 5%, em meio à alta dos preços do minério de ferro. Também estava no radar reportagem de O Estado de S.Paulo de que empresa pode reduzir à metade a produção de minério de ferro em Minas Gerais.
Sessão anterior
Na véspera, o principal índice de ações da bolsa paulista subiu 1,34%, aos 47.763 pontos. Na mínima, o índice caiu 1,29%. Na máxima, subiu 1,44%.




