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ECONOMIA

Demissões crescem 21% e Sidrolândia registra no ano redução de 399 empregos

A Seara, conforme o balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, reduziu em 11,44% das suas exportações neste ano

Flávio Paes/ Região News

24 de Maio de 2013 - 16:26

Pelo quarto mês consecutivo, o cenário do mercado de trabalho em Sidrolândia mostra as empresas enxugando o quadro de pessoal e adiando novas contratações. O levantamento do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, revela que em abril o número de demissões aumentou 21%  comparado com o de março (passou de 249 para 295) e o ritmo de contratações diminuiu 11% (de 245 para 218).

No acumulado de 2013 o levantamento mostra o fechamento de 399 empregos com carteira assinada: 1.321 demissões e 922 contratações, com 442 dispensas (com e sem justa causa) e 520 pedidos de demissão. Esta tendência de queda nas oportunidades de trabalho já havia se registrado em 2012, que terminou com o fechamento de 528 empregos: foram 4139 demissões e 4.075 contratações.

Esta conjuntura desfavorável, em meio a duas safras agrícolas com produção  expressiva, decorre de fatores como a crise enfrentada pela Usina Santa Olinda, grande  empregadora, combinada com a redução das exportações de frango, que atinge a maior empresa privada da cidade (a Seara) e a concorrência das importações chinesas, que afetam as duas indústrias de confecções instaladas em Sidrolândia   (Tip Top e Via Blumenau), atividades de uso intensivo de mão de obra.  

A Seara, conforme o balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, reduziu em 11,44% das suas exportações neste ano. De janeiro a abril foram exportadas 9,2 mil toneladas, ante as 11 mil toneladas de igual período de 2012. O faturamento também diminuiu de US$ 28,7 milhões para US$ 25,4 milhões.

A indústria de transformação que começou o ano com 3.070 empregados, teve redução de 176 empregos: 508 dispensas, ante 332 contratações. O setor agropecuário (que abrange a usina) tinha em janeiro 702 empregos, fechou 257 vagas: foram 471 demissões, antes 214 contratações registrados de janeiro até abril.

A Usina Santa Olinda, com três meses de salário em atraso, ainda sem pagar 50% do 13º e o adicional de férias, enfrentou uma greve dos seus 250 funcionários. Entre os que foram demitidos pela empresa, a maioria ainda não recebeu as verbas rescisórias.

Esta situação é enfrentada por trabalhadores como José Alves Pacheco, demitido em outubro do ano passado, após 30 anos de casa. Até agora não recebeu um centavo dos direitos. Não teve acesso ao seguro-desemprego porque o FGTS não é recolhido desde 2003.

Cenário estadual 

A criação de empregos com carteira assinada em Mato Grosso do Sul caiu 26,4% em abril, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho em Emprego, divulgado nesta terça-feira (21).

Mês passado foram contratados 27.875 trabalhadores, e demitidos 23.233, resultando em saldo de 4.642 empregos com carteira assinada a mais no estado. No mesmo período do ano passado, foram 6.315 empregos formais criados.

O setor de serviços foi o que “segurou” a criação de empregos no estado, sendo responsável por 35% das vagas abertas em abril (1.671). “Nos últimos dois anos tem sido assim em Mato Grosso do Sul, com o segmento de serviços impulsionando a criação de empregos”, comentou o economista Áureo Torres.

A indústria também teve bom resultado, com saldo de 1.270 vagas criadas, seguida de construção (426 vagas) e comércio, com 298 empregos criados mês passado. De acordo com Torres, o crescimento do setor de serviços aponta um gasto maior da população regional. “É um mercado interno, que vem gastando mais e investindo mais também”, explicou.

Por outro lado, o economista comentou que setores como o comércio estão sofrendo nesta época do ano, mesmo com o dia das mães sendo comemorado no início de maio. Entre janeiro e abril deste ano, Mato Grosso do Sul contratou 113.683 pessoas e demitiu outros 99.431 profissionais, saldo de 14.252, o pior desempenho desde 2009, quando foram criados 9.554 empregos formais.