SIDROLÂNDIA- MS
Falta de estrutura de armazenamento faz Sidrolândia perder mais de R$ 400 milhões na comercialização de grãos
A insuficiência de estrutura de armazenamento de grãos tem gerado um prejuízo milionário para Sidrolândia.
Redação/Região News
10 de Fevereiro de 2026 - 08:44

A insuficiência de estrutura de armazenamento de grãos tem gerado um prejuízo milionário para Sidrolândia. Levantamento da Aprosoja/MS, com base na safra 2024/2025, aponta que o município acumula perdas superiores a R$ 400 milhões na comercialização de soja e milho, reflexo direto do déficit de capacidade de estocagem.
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Do total do prejuízo, R$ 273,1 milhões são atribuídos à soja e R$ 128,1 milhões ao milho. A soma evidencia a dificuldade dos produtores em reter a produção após a colheita para negociar em períodos mais favoráveis de preço, o que acaba forçando a venda imediata em momentos de baixa no mercado.
Sidrolândia está entre os municípios do sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul onde o avanço da produção agrícola, nos últimos anos, superou a expansão da infraestrutura física. Segundo a Aprosoja/MS, a falta de silos e armazéns adequados compromete a logística local e reduz a competitividade dos produtores.
O impacto do déficit de armazenagem vai além do campo. A perda de mais de R$ 400 milhões representa recursos que deixam de circular na economia do município, afetando diretamente o comércio, a geração de empregos e a arrecadação. Especialistas destacam que o investimento em armazenagem é estratégico não apenas para o produtor rural, mas para todo o desenvolvimento econômico local.
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Em nível estadual, o custo de oportunidade da comercialização chega a R$ 6,1 bilhões, reforçando que o problema não é isolado. No entanto, o caso de Sidrolândia chama atenção pelo volume das perdas e pela necessidade urgente de ampliação da estrutura de armazenamento, seja por meio de investimentos privados, linhas de crédito específicas ou políticas públicas voltadas ao setor.
Para a Aprosoja/MS, ampliar a capacidade de armazenagem é fundamental para permitir que os produtores tenham maior poder de decisão sobre o momento da venda, reduzindo prejuízos e fortalecendo o agronegócio local.
Segundo o presidente do Sindicato Rural, Paulo Stefanello, a construção de novos armazéns na região ocorre atualmente em ritmo moderado, com poucas iniciativas de grande porte. De acordo com ele, há algumas ampliações em andamento, realizadas principalmente por produtores rurais, mas a principal obra em execução é a da Coamo, localizada nas proximidades de Capão Seco. “Não há informações recentes sobre a construção de outros armazéns”, afirmou.
Stefanello explica que o cenário de juros elevados tem impactado diretamente os investimentos no setor de armazenagem. As cooperativas, por contarem com condições de financiamento mais favoráveis, com taxas e prazos mais acessíveis, conseguem manter maior atividade. Já para os produtores, o momento é mais desafiador. Além disso, as perdas registradas nas safras recentes têm levado a uma postura de maior cautela. “Alguns produtores, inclusive eu, estão realizando pequenas ampliações para aumentar a capacidade de armazenamento, mas, de modo geral, o crescimento é menor”, destacou.
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Mesmo diante desse cenário, a Coamo mantém investimentos expressivos na região. A cooperativa está aplicando cerca de R$ 80 milhões na construção de novas estruturas de armazenagem, com capacidade adicional para 750 mil toneladas, o que representa um aumento de quase 80% da capacidade instalada na sede da unidade, localizada às margens da MS-162, na saída para Maracaju .




