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ECONOMIA

Exportação de carne bovina deve fechar 2013 em US$ 6,5 bilhões

Entre os mercados com perspectiva de abertura, o mais próximo de concluir as negociações é a Indonésia, avalia Camardelli.

Famasul

18 de Dezembro de 2013 - 13:20

As exportações de carne bovina devem encerrar 2013 com receita de US$ 6,5 bilhões e quantidade embarcada de 1,5 milhão de toneladas, incremento de 12% e 19,5%, respectivamente, sobre 2012.  A projeção foi feita na manhã desta quinta-feira, 12, pelo presidente da Abiec (Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne), Antônio Camardelli.

De janeiro a novembro, os embarques atingiram US$ 6 bilhões, alta de 12,92% sobre o mesmo período do ano anterior. Em volume, foram exportados 1,3 mil toneladas, incremento de 18,92% na mesma base de comaração. Para 2014, a associação projeta faturamento de US$ 8 bilhões e embarque de 1,8 milhão de toneladas.

O otimismo nas projeções para o próximo ano está embasado na expectativa de resolução dos embargos à carne bovina e também abertura de novos mercados.

Conforme Camardelli, dos 18 mercados que restringiram o produto brasileiro em razão do caso não-clássico de encefalopatia espongiforme bovina, ocorrido no Paraná em 2010 e divulgado no final de 2012, cinco já retomaram as compras, o equivalente a 6,8% do total do volume exportado em 2012.

As vendas continuam suspensas para: Arábia Saudita, Líbano, China, Kuwait, Iraque, Japão, Catar, Usbequistão, África do Sul, Bahrein, Bielo-Rússia, Taiwan e Coreia do Sul. "Esperamos que no primeiro trimestre do ano estejam todos resolvidos", projeta o dirigente.

Entre os mercados com perspectiva de abertura, o mais próximo de concluir as negociações é a Indonésia, avalia Camardelli.

O país já possui acordo encaminhado com o Brasil e tem lista de unidades aptas a fornecer o produto para embarque, contudo, legislação interna impede que a carne seja adquirida de países com status de livre de aftosa com vacinação.

"Se não houver uma solução política para o caso estamos prontos para entrar na OMC, pois não há justificativa", salienta o dirigente. O mercado deve representar entre 15 e 20 mil toneladas no primeiro ano de negócios.

Para Camardelli, 2014 também vai ser um ano de decisão no que se refere à negociação internacional em que será preciso 'aumentar o tom'.

Camardelli citou a resistência do Japão, Taiwan e Coreia do Sul, que alegam comprar a proteína apenas de países livres de aftosa sem vacinação. "A entrada com painel na OMC e em que tom isso será tratado, será discutido em reunião do conselho da Abiec."

A Abiec também espera uma resolução para o primeiro semestre para a liberação do ingresso de carne in natura para os Estados Unidos.

O País precisa publicar uma consulta pública a partir da qual terá um prazo para autorizar a entrada do produto brasileiro. Segundo documento de divulgado pelo governo norte-americano em julho, 14 estados brasileiros de áreas livres de aftosa teriam condições de ser habilitados a fornecer carne in natura aos EUA.

"A liberação desse mercado está prevista no contencioso do algodão, o que está sendo cobrado. A perspectiva é de que a publicação ocorra logo", afirma o diretor executivo da Abiec, Fernando Sampaio.

Ele ainda enumera Tailândia, Mianmar, Omã e Trinidad e Tobago como mercados que devem abrir as portas ao produto brasileiro no próximo ano.

Outros fatores

A cotação do dólar também deve contribuir para que as exportações sigam em alta. "O câmbio variou entre R$ 1,95 e R$ 2,40 neste ano. O que sentimos da indústria e que enquanto estiver acima de R$ 2 está confortável para o exportador", diz Sampaio.

A manutenção do status sanitário também deve garantir o acesso do produto brasileiro aos mercados. Recentemente o País teve oito estados reconhecidos internamente como livres de aftosa com vacinação e a expectativa de que a OIE conceda o reconhecimento internacional do status em maio de 2014.

Porém, a instabilidade financeira do Ministério da Agricultura preocupa. "Não se faz manutenção de status sem recurso. Os representantes de todas as carnes estão preocupados, mas esperamos que isso se resolva."