ECONOMIA
Indústria demite 35 funcionários, fecha unidade com promessa de investir e reabrir em oito meses
Há oito meses a fábrica estava parada, mesmo assim os funcionários não foram demitidos, atuando na parte administrativa e manutenção de equipamentos
Flávio Paes/Região News
06 de Abril de 2016 - 11:00
A Rio Pardo Bioenergia, indústria de esmagamento de soja inaugurada em dezembro de 2012, demitiu 35 dos 60 funcionários, fechou a unidade, com a promessa de fazer novo investimentos para reabri-la dentro de oito meses, no mês de dezembro. Embora tenham sido investidos aproximadamente R$ 40 milhões no complexo industrial, a unidade só começou a operar 22 meses da sua inauguração, em novembro de 2014, mas funcionou pouco tempo, até setembro do ano passado, com apenas 25% da sua capacidade de esmagamento (300 toneladas diárias, quando o planejado era atingir 1.200).
Há sete meses a fábrica estava parada, mesmo assim os funcionários não foram demitidos, atuando na parte administrativa e manutenção de equipamentos. No início do ano houve mudança do controle acionário e troca da direção.
Segundo a informação repassada ao presidente do sindicato que representa os trabalhadores, Sérgio Bolzan, a empresa optou pelo fechamento temporário da fábrica diante da constatação de que os equipamentos instalados não são adequados para o objetivo do projeto que é produzir um farelo de soja com 60% de proteína, usado como matéria-prima para a fabricação de ração para peixe, cachorro e gato. Normalmente obtém-se 40% de proteína no farelo.
Será preciso fazer novos investimentos para fazer adequações na estrutura. Os funcionários que não foram demitidos, são aqueles com perfil técnico, capacitados para operar e manter o equipamento.
Esmagamento
O projeto da Rio Pardo Bionergia supria uma carência da cidade que embora com a terceira maior produção de soja do Estado, não tinha uma unidade de esmagamento e processamento para gerar emprego e agregar valor a oleaginosa aqui produzida. O projeto do empresário Osvaldo Neves de Aguiar, na época dono da empresa, era ambiciosa, previa o uso de uma tecnologia inovadora para produção de biodiesel que serviria como combustível.
Entre a inauguração, em dezembro de 2012 e a entrada em operação da fábrica, em outubro de 2014, transcorreram 22 meses.
Parte da demora para o início das operações decorre dos entraves burocráticos de um financiamento de R$ 24 milhões de uma linha de crédito do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste). O crédito com juros menores e prazo de 8 anos para pagamento demorou para sair e foi reduzido a R$ 7 milhões, obrigando o desembolso de mais recursos próprios dos investidores no empreendimento.
A unidade começou funcionando com 25% da sua capacidade de esmagamento (300 toneladas diárias) e a partir de fevereiro de 2015, a pretensão era atingir 600 toneladas, com expectativa de atingir as 1.200 toneladas neste ano. Dos R$ 40 milhões investidos, só 17,5% foram viabilizados com o financiamento de R$ 7 milhões do FCO.




