ECONOMIA
Inflação pode subir em janeiro com ajustes na economia, diz Levy
O ministro Levy informou a inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgada nesta sexta, que ficou dentro do combinado
G1
10 de Janeiro de 2015 - 08:22
A inflação de janeiro deve ser um pouco mais alta que em alguns meses do ano passado, segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele participou de uma conversa com internautas na rede social Facebook nesta sexta-feira (9) e disse que uma das razões para a alta é que janeiro e fevereiro são meses em que, todos os anos, há mais reajustes, como escolas, IPTU e ônibus.
Além disso, para a economia voltar a crescer, temos que fazer algumas arrumações e isso pode mexer em alguns preços. Os economistas chamam isso de mudança nos preços relativos e ela é importante para acomodar a economia em um novo caminho de crescimento, disse Levy.
O ministro Levy informou a inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgada nesta sexta, que ficou dentro do combinado. A inflação do IPCA em 2014 foi de 6,41%, abaixo do teto da meta, de 6,5%.
Levy disse que o Banco Central continuará cuidando para que a inflação fique não somente abaixo do teto da meta até o final de 2015, mas também volte para o objetivo de não passar de 4,5% em 2016.
Esse valor de 4,5% é a chamada meta da inflação, que é muito importante para as pessoas terem confiança e a economia crescer. E, deixa eu dizer também que para a gente segurar a inflação é preciso que o governo não gaste demais. Se a gente fizer isso agora, vamos poder ter a inflação caindo no ano que vem, disse Levy.
Geração de empregos
Questionado por um internauta sobre o que esperar da geração de emprego daqui a 4 anos, Levy respondeu que é possível esperar um Brasil mais competitivo, que vai conseguir ter uma presença maior no mundo, com empregos melhores.
O ministro citou organização das contas, estímulo à concorrência para ter mais opções na hora de comprar e firmas mais eficientes e mais capazes. Aí, você vai poder comprar mais barato. Daí que toda a economia fica mais eficiente, mais competitiva e dá para, inclusive, conquistar mercados lá fora, disse Levy.
Esse Brasil batalhador é o que a gente pode esperar para crescer e ter mais emprego de qualidade, disse o ministro Joaquim Levy.
Ajustes
De acordo com Levy, é importante fortalecer a convicção de que o governo não pode gastar mais do que arrecada. Que se as despesas crescerem e a gente se endividar, ou ficar aumentando imposto, vai ser mais difícil a economia melhorar. Se você conversar isso com seu colega de trabalho, em alguma hora, também com seus amigos, isso vai ajudar a gente a fazer as mudanças juntos.
A última pergunta respondida por Levy foi de um internauta sobre se haverá aumento de impostos. A gente provavelmente terá que pensar em rebalancear alguns impostos, até porque alguns foram reduzidos há algum tempo. E essa receita está fazendo falta. Mas, se houver alguma mudança, vai ser com cuidado e depois de a gente esgotar outras possibilidades.
Estamos no caminho certo, e dessa vez a gente está tentando acertar as coisas bem antes de estar numa crise. Como diz um amigo meu, estamos podendo consertar o telhado em dia de sol, finalizou Levy.
Benefícios
Outro internauta citou as mudanças nas regras dos benefícios do trabalhador (em dezembro, o governo anunciou regras mais rigorsas para as concessões) e questionou a meta de economia para este ano e onde haverá outros cortes. Segundo Levy, as medidas adotadas são para evitar algumas distorções, como é o caso de limitar o recebimento de pensão por morte de cônjuge.
Levy citou ainda que o governo diminuiu o volume de empréstimos com juros baratos para algumas empresas. Empréstimo barato também é pago pelo contribuinte e tem que ser dado só em situações muito especiais. O governo também mostrou, ontem, que está cortando nas suas próprias despesas. Aquelas despesas que se chamam de custeio, que é para pagar principalmente a máquina do governo.
De acordo com o ministro da Fazenda, o objetivo dos cortes é limitar esse tipo de despesa para, com essa economia, ter dinheiro para pagar a Previdência Social e os benefícios que o governo tem a obrigação de pagar em dia.
Ninguém come de graça
Outro internauta perguntou se o ministro se considerava um "chicago boy". Levy, que foi aluno da universidade, disse que a pergunta era divertida e explicou que essa expressão remonta à década de 70, quando alguns economistas da Universidade de Chicago fizeram algumas reformas que deram muito certo e outras nem tanto. A escola de economia da universidade é tida como "liberal", ou seja, defende o mínimo de interferência do governo na economia.
Levy disse que muita coisa mudou desde aquela época. E lembrou de uma frase de um professor que ficou muito conhecida: Ninguém come realmente de graça. A gente sabe que quando alguém passeia ou faz alguma coisa sem pagar, outra pessoa está pagando. Então, essa frase é importante para quem está no governo. Tudo que o governo dá é pago pelo contribuinte", disse Levy.
"Então, a gente tem que ter muito cuidado em como usa o dinheiro, para garantir que as pessoas certas, às quais a lei dá o direito, serem as que receberão os benefícios que precisam. Enfim, boas ideias em economia vêm de vários lugares, e a gente tem que estar sempre atento para analisar e adotar as melhores", disse.




