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Economia

Javali é praga tão perigosa quanto Helicoverpa, diz pesquisador em MS

O alerta foi feito na tarde de quinta-feira (23) pelo pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Euclides Maranho, durante palestra no Showtec.

Agrodebate

24 de Janeiro de 2014 - 09:39

O javali europeu, um animal que não pertence à fauna brasileira, mas que acabou sendo introduzido no país, e que vem causando prejuízos principalmente às lavouras de milho em Mato Grosso do Sul, é uma praga tão perigosa para a agricultura quanto a lagarta Helicoverpa armigera e, por isso, requer tanta atenção e cuidados, quanto os que estão sendo dispensados ao inseto. O alerta foi feito na tarde de quinta-feira (23) pelo pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Euclides Maranho, durante palestra no Showtec. O evento de difusão de tecnologias que a Fundação MS promove em Maracaju (MS) vai até está sexta-feira (24).

Maranho comentou que uma pesquisa realizada pela Embrapa para avaliar as perdas e danos provocados pelo javali nas lavouras de milho da safrinha 2012/2013, na região de Rio Brilhante (MS), onde a incidência do animal é alta, revelou que, em uma área de 531 hectares, de nove propriedades estudadas, as perdas chegaram a 16% do volume do grão que seria colhido, o que representou para esses produtores um prejuízo de aproximadamente R$ 232,5 mil.

“Temos que lembrar que esse prejuízo foi mensurado somente nessa área, mas ele é muito maior, porque os animais estão atacando várias outras propriedades nesta faixa que vai de Rio Brilhante a Maracaju”, explicou o pesquisador.

Ele disse que o estudo revelou ainda que alguns produtores já vinham alertando sobre os danos provocados pelo javali na região há oito anos e que, além do milho, que é devorado pelos animais e das plantas do cereal que são destruídas durante a passagem deles pelas áreas, já foram detectados estragos também em lavouras de soja e de cana-de-açúcar, em áreas de preservação permanente (APPs) e até na pecuária, com ataques aos rebanhos.

A médica veterinária e pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Virgínia Santiago Silva, comentou que, segundo classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza (ISSG), o javali está entre as 100 piores espécies invasoras do mundo, e que os impactos ambientais, econômicos, sociais e sanitários decorrentes dessa invasão no Brasil ainda são desconhecidos.

Ela disse que em razão desse quadro, a Embrapa desenvolveu um projeto que envolve a participação de diversas entidades e órgãos públicos para discutir o manejo da praga, e que uma das ações previstas com esse objetivo é o abate de animais, como medida de controle de sua disseminação. Nesse sentido, a pesquisadora lembrou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em janeiro de 2013, por meio de uma instrução normativa, reconheceu a nocividade do javali europeu e autorizou o controle populacional no Brasil.

Entretanto, o major da Polícia Militar Ambiental (PMA), Carlos Magno da Silva, que também participou da palestra, apontou que apesar da legislação já oferecer a previsão legal para promover o abate dos animais que é preciso lapidá-la. “São várias questões que precisam ser discutidas, com a participação de todos os envolvidos, para termos um panorama mais claro de como fazer esse controle”, analisou.

Segundo a médica veterinária da Embrapa Suínos e Aves, dados extraoficiais apontam que a presença do javali já foi detectada em 14 estados do Brasil. Em Mato Grosso do Sul, o animal foi encontrado em pelo menos 20 municípios.

Além da destruição provocada pelo animal nas lavouras, Virgínia diz que outra preocupação em relação a essa invasão é quanto as doenças que os javalis podem carregar, algumas erradicadas ou já controladas no país, e que poderiam contaminar os rebanhos de outros animais, prejudicando a sanidade animal brasileira e afetando diretamente as exportações de carne para o mercado internacional, com barreiras sanitárias.