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Economia

MS será responsável por 33% da celulose produzida no País

Em 2018, o Brasil produziu 21,1 milhões de toneladas e se consolidou como segundo maior do mundo.

Correio do Estado

31 de Dezembro de 2019 - 10:41

MS será responsável por 33% da celulose produzida no País

Com uma nova fábrica anunciada, Mato Grosso do Sul se consolida como polo de produção de celulose no Brasil. O Estado será responsável pela produção de 7,1 milhões de toneladas do produto, somando as unidades fabris já em funcionamento em Três Lagoas e a nova fábrica que será instalada em Ribas do Rio Pardo.

De acordo com dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), em 2018 o Brasil produziu 21,1 milhões de toneladas de celulose, consolidando-se como o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos da América (EUA). Foram produzidas, considerando o processo químico – tanto fibra curta (eucalipto) como longa (pinus) – e a pasta de alto rendimento, 21,1 milhões de toneladas, um crescimento de 8% em relação a 2017.

O volume exportado atingiu 14,7 milhões de toneladas, representando incremento de 11,5% comparado ao ano anterior. Considerando a quantidade produzida em 2018, MS produzirá 33,64% do resultado nacional.

Atualmente, Três Lagoas detém o monopólio da produção de celulose no Estado. A Suzano tem hoje duas plantas no município, ambas construídas pela Fibria, empresa incorporada pela Suzano em abril deste ano em um negócio de R$ 36 bilhões. A compra da Fibria, porém, teve início no ano passado.

As unidades da Suzano em Três Lagoas têm a capacidade de produzir 3,2 milhões de toneladas de celulose por ano e 92% da produção é destinada ao mercado externo. Enquanto a unidade da Eldorado, também em Três Lagoas, produz anualmente 1,7 milhão de toneladas de celulose.

Já a nova unidade da Suzano, que será instalada em Ribas do Rio Pardo, produzirá 2,2 milhões de toneladas do produto após entrar em funcionamento. Somando todas as fábricas estaduais, Mato Grosso do Sul chegará ao montante de 7,1 milhões de toneladas por ano.

NOVA INDÚSTRIA

A Suzano S.A. anunciou no início de dezembro a aquisição de 106 mil hectares de terra e a licença de instalação da fábrica de celulose em Ribas do Rio Pardo, com capacidade para 2,2 milhões de toneladas. Esta será a quarta indústria de produção de celulose no Estado. A unidade de Ribas do Rio Pardo se somará às outras duas fábricas da Suzano, localizadas em Três Lagoas.

A unidade deve receber investimentos, pelo menos inicialmente, de parte dos R$ 300 milhões previstos para a expansão dos negócios da companhia no próximo ano. No mesmo comunicado divulgado na semana passada, a Suzano informou que já adquiriu pelo menos 100 mil hectares de terras no Estado, patrimônio que já está em poder das subsidiárias de gestão de imóveis da companhia. Neste ano, no setor de terras e florestas, a companhia deve investir R$ 1,3 bilhão. Para 2020, a previsão é de mais R$ 400 milhões em investimentos – boa parte desses recursos deve ser aplicada em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o prefeito de Ribas do Rio Pardo, Paulo Cesar Lima Silveira, a nova planta vai gerar até 7 mil empregos na cidade. “A nova fábrica vai ser um momento histórico para o município, que vai triplicar a população em cinco anos, gerando emprego e, automaticamente, arrecadação. A previsão é de dois mil empregos diretos com capacidade de gerar sete mil diretos e indiretos. Nós temos, de Campo Grande à Três Lagoas, o maior corredor florestal do Brasil, próximo de 1 milhão de hectares de floresta plantada. Só em Ribas temos 230 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto”, afirmou.

O titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, explica que a licença de instalação é um importante ativo, que viabiliza a construção da fábrica assim que a empresa decidir pela implantação. “Um processo de instalação de indústria, para chegar até este ponto de ter licença ambiental e de instalação, demoraria entre três e quatro anos. Estes são indicativos de que Mato Grosso do Sul terá a quarta fábrica de celulose, mas ainda sem cronograma previsto”, destaca o secretário ao ressaltar que na área adquirida pela Suzano parte das terras conta com ativos florestais.

SUPERAVIT

A indústria de base florestal fechou 2018 com superavit de US$ 11,4 bilhões, avanço de 26% em relação ao ano anterior. As exportações somaram US$ 12,5 bilhões, equivalente a 5,2% das exportações brasileiras. O setor de árvores plantadas também é responsável por cerca de 3,8 milhões de empregos diretos e indiretos. Projetos que visam aumento dos plantios, ampliação de fábricas e novas unidades são da ordem de R$ 32,6 bilhões até 2020. O setor tem Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 86,6 bilhões.