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Economia

Petrobras negocia para reajustar preços de combustíveis, diz diretor

Segundo Barbassa, a companhia já praticava a contabilidade de hedge desde 2006, numa subsidiária na ocasião de uma operação de captação em ien, moeda japonesa.

G1

12 de Agosto de 2013 - 14:00

O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse nesta segunda-feira que a estatal trabalha para ajustar os preços dos combustíveis no país.  O objetivo é buscar o alinhamento dos preços de combustíveis com o mercado internacional – onde eles estariam mais caros –, o que ofereceria mais recursos para financiar o plano de negócios da Petrobras.

Ao apresentar os resultados do segundo trimestre de 2013, o diretor, porém, não revelou o percentual de aumento que a companhia está buscando nem deu prazo para que ele ocorra.

Vendas de ativos

Barbassa afirmou ainda que a companhia pretende vender US$ 9,9 bilhões em ativos – a maior parte ainda este ano.

A venda de 50% dos ativos na África contribuiu para a elevação do lucro operacional da companhia, que fechou o segudo trimestre em R$ 11,1 bilhão, 110% a mais que o mesmo período de 2012. O lucro líquido foi de R$ 6,2 bilhões. No segundo trimestre do ano passado, estatal teve prejuízo de R$ 1,346 bilhão. Na comparação com o primeiro trimestre de 2013, lucro recuou 19%.

Alavancagem

O diretor Financeiro explicou  que há expectativa de crescimento na alavancagem (relação entre o endividamento e o patrimônio) no segundo semestre, se não houver mudança preço dos combustíveis e na taxa de câmbio.

A companhia fechou o segundo trimestre de 2013 com a alavancagem em 34%, uma elevação de três pontos porcentuais na comparação com os 31% registrados no primeiro trimestre.

"A perspectiva é positiva para 2014, 35% de dívida líquida sobre capitalização líquida. O crescimento continuado da produção, com a entrada de novas unidades, vai trazer geração adicional e vai proporcionar desalavancagem", disse.

Contabilidade de hedge

O diretor informou ainda que o desempenho da Petrobras, que registrou lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, seria positivo mesmo se não tivesse sido adotada a contabilidade de hedge (proteção cambial) que, segundo Barbassa, "veio para ficar".

A companhia informou que adotou, a partir de meados de maio, contabilidade de hedge "para proteção de exportações futuras, permitindo que perdas cambiais de R$ 7.982 milhões, relativas a cerca de 70% do endividamento líquido exposto à variação cambial, fossem contabilizadas no Patrimônio Líquido, as quais serão transferidas para o resultado à medida que as exportações forem realizadas".

Segundo Barbassa, a companhia já praticava a contabilidade de hedge desde 2006, numa subsidiária na ocasião de uma operação de captação em ien, moeda japonesa.

"A contabilidade de hedge veio para ficar pois traz benefício grande sobre a redução de volatilidade do resultado da companhia, fruto de variações cambiais. É um instrumento útil em países em desenvolviemnto porque as empresas de países desenvolvidos têm um mercado de capitais amplo para se financiarem. Já em países em desenvolvimento, as empresas carecem de buscar recursos em outros mercados e acabam expostas a essas variações", disse.

Almir Barbassa não comentou a reportagem da revista 'Época', que no fim de semana revelou um suposto esquema de propina na Petrobras, que teria favorecido o PMDB. À revista, o engenheiro João Augusto Rezende Henriques, ex-funcionário da Petrobras, denunciou um esquema de corrupção na Diretoria Internacional da estatal que favoreceu o PMDB.

Segundo ele, todos os empresários com contratos na área internacional a partir de 2008 tinham de pagar um pedágio que era repassado ao PMDB, sobretudo à bancada mineira do partido na Câmara, responsável pela indicação do ex-diretor internacional da Petrobras Jorge Zelada, que deixou o cargo em julho de 2012.

Mais 440 mil barris por dia

Até o fim de 2013, 36 poços da Petrobras estarão interligados, aumentando a produção de petróleo em 440 mil barris por dia, anunciou nesta segunda-feira o diretor de Exploração e Produção da estatal, José Formigli, ao detalhar os resultados da companhia no segundo trimestre de 2013, quando a petroleira registrou lucro líquido de R$ 6,2 bilhões.

O crescimento da produção, segundo o diretor, terá ritmo mais intenso no quarto trimestre, quando já estarão operando as plataformas P-55, P-58, P-61 e P-63.

A Petrobras saiu do prejuízo e teve lucro líquido de R$ 6,201 bilhões no segundo trimestre, segundo balanço divulgado pela empresa na sexta-feira, após adotar uma nova estratégia contábil que limitou o impacto da alta do dólar e tirou cerca de R$ 8 bilhões em perdas financeiras do balanço. Em igual período de 2012, a estatal tivera prejuízo de R$ 1,346 bilhão.

Na comparação com o 1º trimestre de 2013, entretanto, o ganho da companhia caiu 19%. No período entre janeiro e março, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 7,693 bilhões. No 1º semestre, o lucro líquido foi de R$ 13,894 bilhões, alta de 77% ante os R$ 7,868 bilhões apurados nos seis primeiros meses de 2012.

A receita da Petrobras no 2º trimestre subiu 8%, na comparação com igual período de 2012, para R$ 73,627 bilhões. Na comparação com o 1º trimestre (R$ 72,5 bilhões), a alta foi de 2%.