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ECONOMIA

Pressão sindical e importações cortam 62% de funcionários das indústrias de confecção

As empresas hoje tem 320 funcionários, corte de 62% em relação ao quadro de pessoal que já tiveram há pouco mais de um ano e meio, quando empregavam 825 funcionários.

Flavio Paes /Região News

07 de Junho de 2013 - 07:33

Foto: Marcos Tomé/Região News

Pressão sindical e importações cortam 62% de funcionários das indústrias de confecção

Pressão sindical e importações cortam 38% de funcionários das indústrias de confecção

As duas indústrias de confecção instaladas em Sidrolândia que produzem em larga escala (Via Blumenau e Tip e Top) estão passando por um contínuo processo de enxugamento de seus quadros de pessoal. Informações extraoficiais dão conta de que juntas, as empresas hoje tem 320 funcionários, corte de 62% em relação ao quadro de pessoal que já tiveram há pouco mais de um ano e meio, quando empregavam 825 funcionários.

Alguns fatores tem sido determinantes para este esvaziamento, começando por questões estruturais do setor têxtil nacional, atingido duramente pelas importações chinesas, mas há também a influência de problemas locais relacionados à pressão das entidades sindicais, autuações da Justiça Trabalhista.

Há indícios de que a Tip Top está migrando para sua unidade de Campo Grande, com o fechamento da estamparia e a transferência da própria gerência. A indústria que já chegou a contar com 525 funcionários, teria hoje em torno de 180 trabalhadores, mantendo boa parte da sua estrutura de produção ociosa.

A Via Blumenau cancelou o projeto de trazer para Sidrolândia um centro de distribuição e a tinturaria. Em setembro, como resposta a uma ação do sindicato dos trabalhadores que resultou em multa da Justiça do Trabalho contra a indústria, foram demitidos 110 trabalhadores.  Este foi o desdobramento do fechamento, em setembro do ano passado, do segundo turno de produção.

O turno começava às 13h30 horas e terminava às 22 horas. A indústria que chegou a ter 250 funcionários, hoje conta com aproximadamente 140. A Via Blumenau firmou acordo informal com os funcionários pelo qual quem trabalhava neste turno que começa às 13 horas, teria 30 minutos de intervalo para descanso e refeição,  além de completar a jornada de 44 horas aos sábados com expediente de 4 horas.

O sindicato contestou, exigiu à uma hora de intervalo e ganhou na Justiça. A empresa foi condenada a pagar uma indenização de R$ 700 mil aos funcionários e decidiu suspender o turno. Além da indenização o intervalo de uma hora, haveria aumento de seus encargos com o pagamento do adicional noturno, já que o turno de trabalho ultrapassaria às 22 horas.

CAGED

Só nos primeiros quatro meses deste ano, conforme o acompanhamento do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, foram demitidos 70 trabalhadores, ante 37 contratações. O levantamento mostra que foram fechadas 29 vagas de costureiras de peças por encomenda; 2 vagas de estampador ; 7 de operador de máquina de lavar tecidos; 5 de revisor de tecidos.