ECONOMIA
Previsão de risco para a inflação em 2015 está menos favorável, diz BC
De acordo com o documento, os ajustes de preços "fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015
Agência Brasil
12 de Março de 2015 - 15:33
A intensificação de ajustes de preços na economia tornou o balanço de riscos da inflação menos favorável para 2015, avalia o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A análise está na ata divulgada hoje (12) da última reunião do colegiado, realizada nos dias 3 e 4 de março. No encontro, o Copom decidiu aumentar em 0,5 ponto percentual a Selic, taxa básica de juros da economia, que atingiu 12,75% ao ano. A alta deste mês foi a quarta consecutiva da Selic.
De acordo com o documento, os ajustes de preços "fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015. A nota destaca que, reconhecendo os impactos dos ajustes sobre a inflação, o comitê reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem dela decorrentes. Na ata da reunião anterior, de janeiro, o Copom havia projetado que a inflação tendia a permanecer elevada, mas entraria em declínio ainda este ano. No comunicado de março, não foi incluída a expectativa de queda para 2015.
Segundo o comitê, entre os fatores levados em conta para a última elevação da Selic estão os ajustes de preços administrados regulados pelo governo , com destaque para a gasolina e a energia elétrica. O comitê trabalhou com estimativa de alta de 10,7% nos preços administrados, considerando a hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo da incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do PIS/Cofins e de 38,3% nos preços da energia elétrica, em razão do repasse ao consumidor dos custos das operações de financiamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
O Copom prevê ainda que a evolução dos preços internacionais do petróleo tende a ser transmitida à economia doméstica, tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto por intermédio das expectativas de inflação.
O colegiado manifestou-se também sobre a questão do cumprimento da meta fiscal. Segundo o Copom, o balanço do setor público "tende à neutralidade, sem descartar a hipótese de migração para a zona de contenção". Para o comitê, uma trajetória de superávits primários estimulará o investimento e causará impacto também sobre o combate à inflação. A literatura e as melhoras práticas internacionais recomendam uma política fiscal consistente e sustentável, de modo a permitir que as ações de política monetária sejam plenamente transmitidas aos preços.
O Copom prevê que a demanda agregada, compra de bens e serviços por consumidores, empresas e Estado, tende a se mostrar moderada, bem como a expansão do crédito. De acordo com o comitê, o consumo das famílias deve se estabilizar. Por outro lado, o colegiado estima que condições relativamente favoráveis no caso de financiamento imobiliário, concessão de serviços públicos e ampliação de renda agrícola podem favorecer os investimentos. As exportações devem ser beneficiadas em função do cenário de alta do dólar e maior crescimento de importantes parceiros comerciais.
Com relação à economia global, continuam elevados os riscos para a estabilidade financeira. O colegiado pondera que apesar de identificar baixa probabilidade de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o ambiente externo permanece complexo. Mas, mesmo com taxas de crescimento das economias externas menores do que se antecipava em 2014, as perspectivas são de recuperação de algumas economias maduras (...) e intensificação do crescimento em outras.
Para 2016, o Comitê de Política Monetária mantém a avaliação de que o cenário de convergência da inflação para o centro da meta, que é 4,5%, tem se fortalecido. O colegiado voltou a afirmar que os sinais benignos nesse sentido ainda não se mostraram suficientes. O Copom se reúne novamente nos dias 28 e 29 de abril.




