ECONOMIA
Queda na produção de arroz faz indústria funcionar só com 20% da sua capacidade
Hoje à Cotap que tem capacidade para beneficiar 40 mil toneladas, mas só esta industrializando 7 mil toneladas.
Flávio Paes/Região News
19 de Junho de 2016 - 21:23
A combinação de disparada do dólar (que inviabilizou as importações do Paraguai) e redução de quase 90% na área plantada com arroz no Estado, forçou a Cotap - indústria sidrolandense de beneficiamento - a funcionar só com 20% da sua capacidade, enxugar de 50 para 8 o seu quadro de pessoal (sendo apenas no setor operacional), além de diversificar sua atividade para comercialização de milho.Com menos produção interna, só cinco indústrias de beneficiamento de arroz continuam em funcionamento no Estado: a de Sidrolândia em outras quatro, em, Itaporã, Nova Alvorada do Sul, Campo Grande e Dourados.
Segundo o diretor da empresa, Eduardo Terra, hoje à produção estadual de arroz, em torno de 200 mil toneladas, é bem menor que o consumo de Mato Grosso do Sul, com isto abre mercado para as indústrias do Rio Grande do Sul (o maior Estadual) em condições de competitividade de preço.
"Com o custo do frete na base de R$ 180,00 a tonelada, não temos condições de trazer o produto em casca do sul, beneficiar aqui e competir com as indústrias do Sul que trazem o produto produto para venda ao consumidor". Numa saca de 60 quilos de arroz em casca, 40% (24 quilos) são subprodutos (casca, quirela) descartados do produto que chega ao consumidor. Com isto na prática, o custo do frete por saca passa de R$ 10,00 para R$ 16,00.
Hoje à Cotap que tem capacidade para beneficiar 40 mil toneladas, só industrializa 7 mil toneladas. Trabalha apenas com a produção estadual. O achatamento dos preços desestimulou o produtor ao ponto da área plantada cair de 115 mil hectares em 2015, para 68 mil hectares neste ano, com estimativa de cair para 14 mil hectares na próxima safra. O cenário nacional é de queda de 16% da produção, 1,8 milhão de toneladas a menos de arroz, o que projeta preços mais caros nas prateleiras dos supermercados.
A esperança é de que com reação no preço final do arroz, os produtores voltem a se interessar pela cultura e haja uma retomada da produção. Outra alternativa, que a Cotap já experimentou no passado, é instalar uma indústria de beneficiamento no Rio Grande do Sul e trazer o grão para comercialização no varejo.




