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Esporte

À espera de volante, Osorio nega invenções e chia de palpites internos

Para resolver a carência do São Paulo sem ser acusado de inventar, Osorio conta com a chegada ao menos de um novo meio-campista de contenção

Gazeta Esportiva

29 de Agosto de 2015 - 10:05

O vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro evitou revelar as reclamações que ouviu de Juan Carlos Osorio no início da semana. Nesta sexta-feira, o próprio técnico não se intimidou em desabafar diante das câmeras de televisão sobre os problemas que notou em sua trajetória no São Paulo. Os maiores deles foram criados por dirigentes.

Criticado internamente por seus métodos incomuns, que incluem até mudanças no posicionamento de atletas, Osorio se viu obrigado a inovar ainda mais após sofrer oito baixas no elenco são-paulino. E irritou-se quando se encontrou pressionado por causa da situação.

“É muito fácil falar e dar uma opinião. Mas, se alguém assistir aos treinos, observará claramente que não inventamos nada. Antes de o Breno jogar como volante, ele teve dez sessões de trabalho nessa posição. Isso não é inventar”, defendeu Osorio.

O técnico ainda rebateu a crítica com outra. “O mais fácil seria dizer que, com as saídas do Denilson e do Souza, o time não tem um volante central”, contrapôs. “Mas a minha responsabilidade é resolver. Tentei com o Hudson, com o Michel (Bastos), com o Breno e agora creio que o Thiago (Mendes) está muito bem nessa posição. Outras opiniões são respeitáveis, mas é mais fácil falar em cima de resultados do que entender o jogo”, insistiu.

Para resolver a carência do São Paulo sem ser acusado de inventar, Osorio conta com a chegada ao menos de um novo meio-campista de contenção. Ataíde Gil Guerreiro já avisou que busca reforços emergenciais em divisões inferiores do futebol nacional. E, em meio à procura do dirigente, o técnico tem sofrido com os mais variados palpites.

“Estava falando com o Milton (Cruz, auxiliar) e com o Luis Fabiano quando mostrei uma mensagem de alguém que nos oferece muitos jogadores. A minha responsabilidade é com a parte esportiva. Neste clube, há muita gente dando opinião. É demasiado”, chiou.

Osorio não costuma deixar os conselhos sem resposta. “Quando alguém fala para mim que há um centroavante muito bom no mercado, pergunto o que ele tem de bom. Sabe cabecear? É rápido? Não precisamos dele. Se compro um carro, deve ser para quatro pessoas – minha senhora, meus dois filhos e eu. Não preciso de um Lamborghini, e sim de um 4×4”, comparou, citando o zagueiro Luiz Eduardo, vindo do São Caetano, como “um exemplo perfeito” de boa contratação. “Queríamos alguém canhoto, de bom jogo aéreo, que não fosse gringo e conhecesse o São Paulo. Trouxemos e foi barato para o clube. Agora, se eu trabalho para um time que tem €10 milhões para contratar um centroavante, vou atrás do Ibrahimovic.”

Apesar do elogio a Luiz Eduardo, a ira de Juan Carlos Osorio também respingou no grupo de atletas do São Paulo. “Quando um elenco é forte, fica muito mais fácil escalar um time e fazer um rodízio. Está difícil agora. Com todo o respeito ao elenco, alguns jogadores não estão no mesmo nível”, atacou.

À época de sua vinda ao São Paulo, Osorio mencionou a qualidade dos atletas com quem trabalharia como um dos incentivos para aceitar o desafio de trabalhar no futebol brasileiro. Ele diz não saber se deixaria a Colômbia nas circunstâncias atuais.

“Prefiro falar sobre coisas concretas. Isso é uma suposição. Mas, como comentei anteriormente, essa situação é real e tenho a obrigação de mandar a campo um time competitivo, independentemente de tudo. Só é bom que todos entendam o que aconteceu. Li em um livro que o sucesso se mede comparando os resultados com os recursos que você tem em mãos”, ensinou, desafiando os palpiteiros. “Que cada um tire a sua própria conclusão. ”