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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 1 de Outubro de 2020

Esporte

Após Portugal, Confederação de Judô estuda seguir os treinos no Brasil

Entidade diz que retorno dependerá do cenário da pandemia no país

Agência Brasil

23 de Junho de 2020 - 15:59

A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) já estuda cenários para prosseguir no Brasil, com os treinos que terão início em Portugal. A partir de julho, um grupo de atletas que disputam vaga olímpica nos Jogos de Tóquio (Japão) começarão a treinar do outro lado do Oceano Atlântico. A cidade portuguesa de de Rio Maior será a primeira parada da delegação brasileira, que permanecerá cerca de dois meses treinando em território lusitano, na Europa. O grupo com 28 judocas faz parte de um  um projeto do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para viabilizar a preparação para a Olimpíada. Os treinos presenciais no Brasil foram suspensos há pelo menos três meses em decorrência da pandemia do novo coronavírus (covid-19).

"Há um projeto para os atletas terem uma sequência até que o calendário internacional seja confirmado e eles estejam prontos para competir", afirma à Agência Brasil o gestor de Alto Rendimento da CBJ, Ney Wilson. "A ideia é que possamos montar uma estrutura a esses atletas e alguns outros que possamos convocar, obedecendo protocolos de testagem e tudo, e que a gente os leve para algum local e dê continuidade. É difícil falar hoje [sobre datas e locais] pensando em setembro. Não sabemos em qual cenário estará o Brasil. Há regiões achatando a curva de contaminação e outras em ascensão", completa.

A expectativa é que a delegação brasileira chegue em Portugal entre 9 e 15 de julho e permaneça no país até 23 de agosto. A primeira parada será na cidade de Rio Maior, onde se encontra o principal centro de treinamento olímpico português. Em seguida, a equipe irá a Coimbra para trabalhar junto da seleção lusitana de judô.

"Faremos testes antes da viagem. Não só o de sorologia, para ver se há produção de anticorpos, mas, perto do embarque, faremos o de PCR (que detecta a presença do vírus). Além de outros exames, como eletrocardiograma e de d-dímero  [capaz de identificar trombose]. Chegando lá, vamos direto ao laboratório, realizaremos novos testes, e os resultados saem em até 72 horas. Nesse período, não haverá treino em conjunto e as refeições serão no quarto. É um protocolo bem rigoroso. Passadas as 72 horas, não tendo contaminação, começamos a trabalhar, obedecendo protocolos, com três subgrupos no masculino e três no feminino. Gradativamente, a gente juntará esses grupos", detalha Wilson.

O longo tempo de inatividade dos convocados, devido às restrições para atividades impostas pela pandemia, preocupa o dirigente da CBJ quanto às lesões. "O atleta pode até estar condicionado fisicamente, mas entre o que ele pensa e consegue executar, a memória motora é menor, porque ele não está mais fazendo o trabalho específico do judô. A ideia de ir a Portugal é botá-los o maior tempo possível com a mão no quimono, mas entendemos que as primeiras semanas serão de readaptação e prudência", explica.

Ainda não há previsão de quando as competições internacionais de judô serão retomadas. Em nota, o presidente da Federação Internacional da modalidade (IJF, sigla em inglês), Marius Vizer, diz que o plano é recomeçar o circuito mundial em setembro, mas, reconhece que o impacto da covid-19 "está fora do controle" da entidade. Se a previsão da IJF se confirmar, o primeiro torneio - conforme o calendário - será o Grand Prix de Zagreb (Croácia), entre 18 e 20 de setembro. O cronograma prevê ainda o Grand Slam de Brasília, em outubro.

Por hora, a única competição com data assegurada é a Olimpíada de Tóquio, no ano que vem. As disputas do judô estão previstas para 24 a 30 de julho. Se os Jogos fossem disputados hoje (23), o Brasil teria qualificados nas 14 categorias, mas com a incerteza sobre a presença ou não da carioca Rafaela Silva. A atual campeã olímpica aparece na zona de classificação da categoria até 57 quilos, mas ainda cumpre punição por doping e, no momento, não poderia competir no Japão. Ela recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS, sigla em inglês) e aguarda julgamento. Em entrevista anterior à Agência Brasil, Wilson disse acreditar na redução da pena de dois anos.

Para o dirigente, a mudança dos Jogos para 2021 foi positiva à seleção brasileira, de forma geral. "Temos um processo de renovação bem acentuado na equipe masculina, onde parte dos atletas não possui experiência olímpica, e um ano [a mais] permite um amadurecimento grande, desde que tenhamos condição de retornar [aos treinos]. Acho que, em um ano, conseguimos classificar a categoria até 73 quilos (masculina) sem depender de uma cota continental, e colocar atletas entre os cabeças de chave na Olimpíada. Claro, há atletas que estavam chegando muito próximo do ideal e tiveram que se replanejar, mas nada que não tome rumo", conclui.