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Esporte

Hoje na seleção, Walace varria chão e lavava pratos em restaurante

Tudo começou a mudar quando o menino bom de bola foi fazer um teste no pequeno 2 de Julho.

ESPN

21 de Setembro de 2018 - 14:52

Em junho de 2010, Walace Souza Silva certamente não esperava que, oito anos depois, estaria sendo convocado pelo técnico Tite para defender a seleção brasileira. Afinal, o hoje volante de 21 anos do Grêmio era apenas um peladeiro de fim de semana, que passava os dias ajudando sua mãe e seu padrasto no restaurante da família, em Salvador, enquanto não estava estudando.

"Quando eu tinha 15 anos, trabalhei por um ano no restaurante que minha mãe e meu padrasto tinham no bairro do Uruguai, em Salvador. Eu varria o chão, lavava a louça, servia as mesas... Era um verdadeiro faz-tudo!", lembrou, em entrevista ao ESPN.com.br, em 2016.

O restaurante em questão era especializado em comida baiana, feijoada e peixes. Apesar de passar horas no restaurante, Walace não gostava de cozinhar: "Não tenho a manha, não (risos)", brinca. Gostava de encontrar alguns jogadores famosos de Salvador, como o meia Leandro Bonfim, ex-São Paulo, Cruzeiro, Vasco, Fluminense e Porto-POR, dentre outros clubes, que batiam cartão no local.

"Eu estudava e trabalhava no restaurante, e nessa época disputava só peladas, ainda não tinha entrado em nenhum clube", recorda o atleta da seleção, que passou por peneiras no Bahia e no Vitória, mas não foi aprovado em nenhum deles

Tudo começou a mudar quando o menino bom de bola foi fazer um teste no pequeno 2 de Julho, na região metropolitana de Salvador, e acabou agradando. Daí para a frente, foi uma ascensão meteórica.

"No Bahia, o técnico me disse que já tinha muitos jogadores na minha posição e acabei não ficando. No fim, foi até bom para mim, pela forma que as coisas aconteceram depois", conta.

"No 2 de Julho, me destaquei e fui pro Avaí, em Florianópolis. Nesta época, eu era escalado como meia ainda. Num jogo contra o Grêmio, na Copa Santiago, fiz um gol de falta e me destaquei em campo, aí acabei sendo contratado", relata Walace, que chegou à base do Grêmio em 2013, quando tinha 17 anos, primeiro por empréstimo, sendo comprado depois.

No começo, sofreu com o vento e o frio de Porto Alegre, como ele mesmo conta: "Sou baiano, né (risos)? Não estava acostumado", sorri.

Apesar disso, não demorou para despertar a atenção do técnico Luiz Felipe Scolari, então no comando gremista, que rapidamente lhe colocou no time profissional.

A estreia aconteceu em uma fogueira daquelas: um Gre-Nal, em 10 de agosto de 2014. Agradou tanto que virou titular e não deixou a equipe tricolor desde então.

As ótimas atuações e a regularidade viram junto com uma mudança de função.

"Com o Felipão, eu ficava um pouco mais preso lá atrás, na marcação, mas com o Roger isso mudou. Eu já o conhecia há mais tempo, e ele me dá mais liberdade para jogar", diz.

Walace também não tardou em cair nas graças da exigente torcida do Grêmio, que lhe deu um apelido divertido, lembrando o estilo de jogo e a semelhança física de um famoso jogador francês: o meia Pogba, da Juventus e da seleção francesa.

Virou, assim, o "PogWalace".

"Eu gosto muito do Pogba e também do Toni Kroos, porque são volantes modernos, que macam e saem para o jogo. Meu visual lembra um pouco o Pogba, mesmo, mas não me comparo com ele. Ainda estou buscando meu espaço (risos)", diverte-se.

Walace representou o Brasil na Copa América de 2016 e foi campeão dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Depois, foi vendido ao Hamburgo, no qual permaneceu por duas temporadas. Neste ano, transferiu-se para o Hannover 96.

Quanto ao restaurante em Salvador, já não existe mais. Depois, o padrasto do volante virou taxista, enquanto a mãe já não trabalha mais, a pedido do atleta da seleção.