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Esporte

No Mundial de GR, Natália conquista vaga no Rio 2016: "Estou sonhando"

Ginasta capixaba vence duelo particular brasileiro com Angélica Kvieczynski e garante o posto reservado ao país-sede na disputa individual das Olimpíadas

GloboEsporte

10 de Setembro de 2015 - 14:15

“Parece que estou sonhando”. Natália Gaudio mal podia acreditar que um sonho que perseguia desde criança acabava de se tornar realidade. Depois de dar show nesta quinta-feira em uma série de fita ritmada pelo samba, a capixaba fechou o Mundial de Stuttgart de ginástica rítmica à frente da paranaense Angélica Kvieczynski na disputa do individual geral.

Com isso, depois de precisar fazer vaquinha para bancar viagens na preparação para a competição alemã, Natália levou a vaga brasileira de país-sede nas Olimpíadas de 2016. Angélica agora só disputa o evento no Rio em caso de lesão de Natália, ou se conseguir uma vaga no conjunto.

- Passou um filme na minha cabeça, de toda minha história na ginástica. Essa conquista é reflexo de anos de trabalho e dedicação. São quase 17 anos buscando esse sonho. Eu me lembro das minhas primeiras entrevistas, quando tinha oito anos, e já falava que meu sonho era participar das Olimpíadas. Eu nunca desisti desse sonho. Passei por muitas dificuldades, muito sofrimento. Mas tudo valeu a pena. A ficha nem caiu ainda (risos). Parece que estou sonhando - contou Natália.

O sonho de Natália teve desfecho com a apresentação de fita desta quinta. Ela havia chegado ao quarto e último aparelho com vantagem sobre Angélica e fez sua melhor apresentação no Mundial, ao som de um samba. A capixaba tirou a nota de 15,750 pontos (7,550 de dificuldade e 8,200 de execução), mas ainda esperava a última apresentação da compatriota.

Depois de errar muito na prova das maças, na quarta-feira, Angélica fez a melhor apresentação brasileira na competição, com 16,116 pontos (7,950 de dificuldade e 8,166 de execução), mas não foi suficiente para ultrapassar Natália, mais consistente nos dias anteriores. Com o descarte da nota do pior aparelho, a capixaba somou 46,766 pontos, ficando na 48ª colocação, enquanto a paranaense somou 46,649 pontos, três postos atrás de Natália.

- A competição foi melhor do que eu esperava. Eu trabalhei muito para isso, mas terminar a competição com as quatro séries limpas e sem erros é incrível. Tive de trabalhar muito meu psicológico para me manter forte e confiante. A todo o momento eu quis entrar na quadra e desfrutar daquele momento, pois estava mostrando ali toso os meus anos de trabalho em uma competição decisiva - disse a ginasta.

No caminho para o Mundial de Stuttgart, a capixaba teve de contornar problemas financeiros por conta de atrasos salariais do Coes (Centro Olímpico do Espírito Santo) e por conta da indefinição de bolsas da Sesport (Secretaria de Esporte e Lazer do Espírito Santo). Foi preciso fazer vaquinhas e correntes de ajuda para conseguir bancar as viagens e manter a programação de treino. Só a aclimatação de 17 dias na Bulgária foi um investimento de R$ 15 mil com despesas de Natália e da técnica Monika Queiroz. Tudo arrecadado com o esforço da ginasta.

- A todo o momento eu pensava em todas as pessoas que me ajudaram, todos que colaboraram na minha carreira, todos que torceram por mim. Eu sentia muita energia positiva e eu queria deixar todas essas pessoas orgulhosas do meu trabalho. Um atleta nunca chega a lugar algum sozinho, ele precisa de todo apoio de uma equipe que trabalhe junto com ele e lhe toda dê assistência. Com certeza tenho as melhores pessoas ao meu lado. Só tenho a agradecer.

Aos 22 anos, Natália será a segunda brasileira a disputar a prova do individual geral das Olimpíadas. Ela nem era nascida quando Rosane Favilla competiu nos Jogos de Los Angeles, em 1984. Agora, a capixaba acredita que pode continuar crescendo a caminho dos Jogos do Rio de Janeiro.

No Mundial de GR, Natália conquista vaga no Rio 2016: "Estou sonhando"

- Eu alcancei meu objetivo em Stuttgart, que era mostrar ao mundo que estou preparada para representar o Brasil, e que eu sou capaz de evoluir muito ainda. Até as Olimpíadas, teremos muito trabalho pela frente.