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Com risco de extinção, filhote de cachorro-vinagre está em recuperação no CRAS
Animal foi encontrado em estrada vicinal de Três Lagoas com problemas gastrointestinais e abaixo do peso.
Midiamax
25 de Junho de 2026 - 16:56

Um filhote fêmea de cachorro-vinagre está recebendo cuidados especiais do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), unidade vinculada ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), após ser resgatado em situação de vulnerabilidade em uma estrada vicinal de Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande.
A espécie é um dos canídeos mais raros da América do Sul e está em risco de extinção. Já faz mais de duas décadas que nenhum animal da espécie é registrado pelo CRAS em Mato Grosso do Sul, o que torna o resgate de grande relevância para a conservação da fauna brasileira. O animal foi encontrado por uma moradora sem a presença da mãe ou do grupo familiar, correndo risco de atropelamento.
Diante da situação de vulnerabilidade, ela acionou as autoridades, que entraram em contato com o CENAP/Inbio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros), que acionou o CRAS, responsável pelo resgate e transporte seguro do filhote.
O filhote foi resgatado em estado crítico de saúde, pesando apenas 700 gramas e em estado de prostração, com desidratação severa, desconforto abdominal intenso e diarreia. O animal passou por suporte intenso, com o objetivo de estabilizar o quadro de saúde, corrigir os distúrbios hidroeletrolíticos e promover o controle da dor. Atualmente, o animal permanece sob vigilância clínica.
Espécie rara e ameaçada
O cachorro-vinagre está classificado como Vulnerável (VU) nas listas de espécies ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Entre as principais ameaças enfrentadas pela espécie estão a perda e a fragmentação dos habitats naturais, além da transmissão de doenças provenientes de animais domésticos. É bastante raro encontrar a espécie em vida livre e a população mantida em instituições zoológicas e programas de conservação é extremamente reduzida.
Estima-se que existam atualmente entre 150 e 200 indivíduos distribuídos em instituições credenciadas em todo o mundo, submetidos a rígidos programas internacionais de manejo e conservação genética.
Estado de saúde
A filhote apresentou uma boa resposta ao tratamento e conseguiu evoluir de 700 gramas para um quilo, peso compatível com a idade estimada entre seis e oito semanas de vida. A paciente encontra-se ativa, responsiva aos estímulos ambientais e sem sinais dos problemas gastrointestinais observados no momento do resgate. O tratamento inclui alimentação adaptada à faixa etária e à fase de transição alimentar, além de estar sendo medicada.
Conforme a médica-veterinária do CRAS, Paloma Gabrieli da Silva, o atendimento a animais da espécie demanda um grau elevado de especialização e reforça a importância dos centros de reabilitação na conservação da fauna silvestre.
“A reabilitação de filhotes exige alta complexidade técnica, envolvendo monitoramento contínuo, biometria periódica, manejo nutricional adaptado aos ciclos etários e análise do desenvolvimento ponderal, demandando esforço técnico concentrado para garantir a sobrevivência e a higidez do espécime”, destaca a médica-veterinária.




