Geral
Policiais investigados por contrabando perdem cargo de chefia
A investigação apura um esquema de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.
Redação/Região News
20 de Março de 2026 - 09:49

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul dispensou das funções de chefia os investigadores Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, presos durante a Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (18). A investigação apura um esquema de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.
✅ Receba no WhatsApp as notícias do RN
As dispensas foram publicadas no Diário Oficial desta sexta-feira (20) e são assinadas pelo delegado-geral Lupersio Degerone Lucio. Ambos foram exonerados das funções de confiança de chefe de seção. Célio atuava na Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia, enquanto Edivaldo estava lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. A medida tem efeito retroativo a 18 de março de 2026.
Célio Monteiro já havia sido alvo das operações Snow e Omertà. Conforme dados públicos, ele recebe salário superior a R$ 14 mil e já foi investigado por suspeitas que incluem ligação com tráfico e lavagem de dinheiro.
✅ Clique aqui para seguir o RN no Facebook
Já Edivaldo Quevedo havia sido preso em 2024 por descaminho, após ser flagrado transportando mercadorias sem documentação fiscal. Na ocasião, pagou fiança e respondia ao processo em liberdade.
Apesar da perda das funções de chefia, ambos permanecem nos quadros da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Operação
Durante a ação desta quarta-feira (18), cerca de 200 policiais federais cumpriram aproximadamente 90 ordens judiciais. Entre elas, 31 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva, uma medida de monitoramento eletrônico, dois afastamentos de função pública, seis suspensões de porte de arma e bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, que somam cerca de R$ 40 milhões.
A investigação revelou um esquema que envolvia policiais civis e militares, da ativa e aposentados, no transporte de mercadorias ilegais. O grupo também atuava na lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores obtidos com a prática criminosa.
Os policiais cumpriram mandados em endereços no Bairro Universitário e no condomínio Alphaville, além de quatro boxes no Camelódromo e duas lojas em um posto de combustíveis pertencentes a Clenio Alisson Tavares e seu filho, Brendon Alisson Medeiros Tavares.
Além das delegacias onde os investigadores estavam lotados, os dois foram presos em suas residências. Segundo a investigação, eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais até o transporte físico das mercadorias, utilizando-se da função pública para favorecer o grupo.
✅ Clique aqui para seguir o RN no Instagram
Célio teve o mandado cumprido na unidade de Sidrolândia, para onde havia sido transferido após ser alvo da Operação Snow, deflagrada em março de 2024. Anos antes, ele também foi preso na Operação Omertà, quando foi acusado de lavar dinheiro de um grupo ligado à exploração do jogo do bicho, mas acabou absolvido em primeira e segunda instâncias.




