INTERNACIONAL
Irã condiciona abertura de Ormuz ao fim de bloqueio portuário dos Estados Unidos
Barreiras mútuas complicaram as tentativas de mediação lideradas pelo Paquistão.
Correio do Estado
19 de Abril de 2026 - 10:55

O Irã reiterou o compromisso de restringir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz enquanto o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos permanecer em vigor.
As barreiras mútuas complicaram as tentativas de mediação lideradas pelo Paquistão e levantaram dúvidas sobre a possibilidade de prorrogação da trégua de duas semanas. "É impossível que outros passem pelo Estreito de Ormuz enquanto nós não podemos", afirmou o presidente do parlamento iraniano, Mohammed Bagher Qalibaf, em entrevista à televisão estatal no final do sábado.
Qalibaf, que é o principal negociador do Irã nas conversas com os Estados Unidos, classificou o bloqueio norte-americano como uma "decisão ingênua tomada por ignorância". Ele afirmou que o Irã busca a paz apesar da desconfiança em relação aos Estados Unidos. "Não haverá recuo no campo da diplomacia", disse ele, reconhecendo que a lacuna entre os dois lados permanece ampla.
O Irã havia anunciado a reabertura do estreito após a implementação de uma trégua de 10 dias entre Israel e o grupo Hezbollah no Líbano, na sexta-feira. No entanto, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o bloqueio aos portos do Irã "permanecerá em pleno vigor" até que Teerã chegue a um acordo, o Irã declarou que manteria suas restrições no estreito.
Após um aumento nas tentativas de trânsito no sábado, as embarcações no Golfo Pérsico mantiveram suas posições devido a disparos contra dois navios de bandeira indiana, que foram forçados a retornar. O recuo restabeleceu o status quo no estreito, por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo, ameaçando aprofundar a crise energética global enquanto a guerra entra em sua oitava semana.
Novas propostas
Faltando poucos dias para o fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, o governo iraniano afirmou, ainda, no sábado, ter recebido novas propostas dos Estados Unidos. Mediadores paquistaneses trabalham para organizar uma nova rodada de negociações diretas. Autoridades paquistanesas reforçaram a segurança em Islamabad. Um funcionário regional envolvido na mediação afirmou, sob condição de anonimato, que as preparações estão sendo finalizadas e equipes de segurança dos EUA já estão no local.
Embora o cessar-fogo tenha sido mantido, o impasse no estreito ameaça retomar o conflito que causou a morte de pelo menos 3 mil pessoas no Irã, mais de 2.290 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia nos estados árabes do Golfo. Quinze soldados israelenses no Líbano e 13 militares dos EUA na região foram mortos.




