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Mato Grosso do Sul

Com 46 registros, MS concentra a 2ª maior alta de ferrugem asiática do país

Em MS, o primeiro mês de 2026 já superou as ocorrências registradas ao longo da safra anterior.

Midiamax

13 de Janeiro de 2026 - 16:46

Com 46 registros, MS concentra a 2ª maior alta de ferrugem asiática do país
Caso da doença na soja. (Foto: Rafael Morais Soares/Mais Soja)

O avanço da ferrugem asiática da soja colocou Mato Grosso do Sul entre os principais focos da doença no país e acendeu um sinal vermelho para produtores, técnicos e autoridades fitossanitárias. Quase 30% de todas as notificações registradas no Brasil nesta safra (2025/2026) estão em MS, que ocupa atualmente a segunda posição nacional de casos.

Dados do Consórcio Antiferrugem apontam 46 registros da doença em Mato Grosso do Sul na safra 2025/2026. O levantamento considera o período de junho de 2025 a janeiro de 2026 e revela um crescimento acelerado, com um caso em novembro, 21 em dezembro e 24 apenas em janeiro. Ou seja, o primeiro mês de 2026 já superou todo o número de ocorrências registradas ao longo da safra anterior.

Com 46 registros, MS concentra a 2ª maior alta de ferrugem asiática do país

Conforme o monitoramento do consórcio, mantido pela Embrapa e por instituições parceiras, os focos estão concentrados em áreas comerciais em estágios avançados da cultura, o que aumenta o risco de impactos diretos na produtividade e na rentabilidade das lavouras.

Condições climáticas favorecem a doença

A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e se manifesta inicialmente por pequenas lesões marrom-avermelhadas na face inferior das folhas. Com a evolução da doença, surgem pontos escuros por toda a superfície foliar, levando à redução da área fotossintética, necrose e desfolha precoce.

Sem controle, as perdas podem chegar a até 90% da produção, tornando a doença uma das mais severas ameaças à cultura da soja. Conforme o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, o cenário climático tem contribuído para o avanço da ferrugem.

“Calor excessivo aliado à alta umidade cria condições ideais para o aumento da população do fungo e para a disseminação dos esporos, que ocorre principalmente pelo vento, favorecendo o surgimento de novos focos”, explica.

Manejo integrado

O controle da ferrugem asiática exige ação contínua e integrada, que envolve:

  • Cumprimento rigoroso do vazio sanitário;
  • Rotação de culturas;
  • Semeadura dentro da janela recomendada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária;
  • Uso de cultivares com maior tolerância;
  • Monitoramento frequente das lavouras;
  • Aplicação técnica e criteriosa de fungicidas, quando indicada.

MS amplia participação no cenário nacional

Com 46 registros, MS concentra a 2ª maior alta de ferrugem asiática do país

Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul registrou 12 ocorrências de ferrugem asiática e ocupou a terceira posição nacional, atrás apenas do Paraná (66) e do Rio Grande do Sul (26). No entanto, na safra atual, o Estado saltou para 46 registros, cerca de 3,8 vezes mais que na anterior.

No Brasil, o total de notificações também apresentou crescimento expressivo, com 156 ocorrências. Paraná concentra a maior incidência, com 94 registros. Em seguida, aparece: MS, com 46; Rio Grande do Sul (9); São Paulo (4); Santa Catarina (2); e Minas Gerais (1).

A primeira ocorrência de ferrugem asiática em Mato Grosso do Sul ocorreu em 2023, durante a safra de soja 2023/2024. O caso ocorreu em uma lavoura localizada em Laguna Carapã, na região sudoeste do Estado. A lavoura havia sido plantada na 2ª quinzena de setembro e estava no estádio fenológico R5.