Mato Grosso do Sul
Sorgo vira aposta estratégica para produção de etanol
O sorgo ganhou força na segunda safra de Mato Grosso do Sul e se tornou uma aposta estratégica.
Primeira Página
15 de Janeiro de 2026 - 10:45

O sorgo ganhou força na segunda safra de Mato Grosso do Sul e se tornou uma aposta estratégica dos produtores. Em cinco anos, a área plantada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para quase 400 mil hectares — avanço superior a 7.700%. Segundo o secretário da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul), Jaime Verruck, o principal fator dessa expansão é decorrente da demanda das usinas de etanol de milho instaladas no estado.

Os dados apresentados pelo SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), mantido pela Semadesc em parceria com a Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) mostram que o setor se intensificou na safra 2021/2022, quando o sorgo começa a ocupar áreas maiores e a ganhar escala, e cresceu novamente em 2024/2025, período em que a cultura praticamente dobrou de tamanho.
Verruck aponta que o sorgo se tornou parte do planejamento da safrinha, especialmente em regiões com janela curta depois da soja, maior risco climático e necessidade de reduzir perdas.
“Embora o sorgo sempre tenha sido conhecido pelo produtor, sua expansão era limitada pela falta de demanda estruturada. Isso mudou quando as indústrias passaram a firmar contratos de compra, garantindo previsibilidade, escala e segurança econômica”.
Em entrevista ao Podcast Agro de Primeira, o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Marcelo Bertoni disse que o sorgo pode vir a substituir o milho na 2º safra no estado. Confira aqui.
Vale destacar que na safra mais recente, metade da área de sorgo da segunda safra se concentrou em dez municípios, liderados por Ponta Porã e Maracaju. O avanço ocorre principalmente em regiões onde o milho enfrenta limitações climáticas ou de janela de plantio, reforçando o uso do sorgo como ferramenta de gestão de risco.
O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, afirma que o sorgo por ser mais resistente às intempéries climáticas e a problemas sanitários, se encaixa melhor em áreas marginais, onde o milho teria mais dificuldade.
Ele destaca ainda que as usinas de álcool de cereais mudaram a lógica de plantio. Com mercado garantido, contratos de compra e estrutura de armazenagem, antigos entraves foram superados.
Conheça o sorgo, o cereal que pode transformar a alimentação do futuro.
Estimativas para o sorgo 2025/2026
No cenário nacional, a produção de sorgo deve superar 6,6 milhões de toneladas na safra 2025/2026, e Mato Grosso do Sul deve ocupar a quarta posição entre os maiores produtores, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Para Verruck, o avanço no estado demonstra que, com mercado, contratos e visão de longo prazo, há aumento de produtividade, redução de riscos e desenvolvimento sustentável.
De acordo com a Semadesc, diante deste cenário as usinas de etanol de milho têm papel estratégico ao integrar produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade, fortalecendo cadeias locais e ampliando o uso eficiente do solo.




