Policial
Ação isola 10 "chefões" e desmonta esquema do PCC nos presídios
A ação ocorreu após uma greve dos presos, que se recusavam a realizar a limpeza dos presídios e sair das celas para participar de audiência na Justiça.
Campo Grande News
01 de Março de 2014 - 09:45
Com o objetivo de desarticular as ações do PCC (Primeiro Comando da Capital) e eventual motim com o corte do sinal de telefonia celular no complexo penitenciário de Campo Grande, o Governo implementou uma série de medidas, desde o isolamento dos "chefões" até a desarticulação do esquema de faturamento dentro dos presídios.
Na manhã de hoje (28), 10 líderes da organização criminosa das penitenciárias de Segurança Máxima da Capital e Harry Amorin Costa, em Dourados, foram transferidos para o Presídio Federal de Campo Grande.
Em nota, a Agepen (Agência Estadual de Gestão do Sistema Penitenciário) também informa que adotou medidas para acabar com o mercado paralelo implementado dentro do presídio pelos membros do crime organizado, como a venda de produtos superfaturados fora da cantina do presídio.
A ação ocorreu após uma greve dos presos, que se recusavam a realizar a limpeza dos presídios e sair das celas para participar de audiência na Justiça.
A operação foi realizada no período matutino após investigação do setor de inteligência da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).
Lideranças negativas de facções foram transferidas. Aqui em MS o PCC domina. Geralmente eles articulam, mas sem aparecer os nomes. Existe um comando, eles fazem o movimento e não se mostram, explicou o presidente do Sinsap/MS (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária), Francisco Américo Sanabria, sobre a forma que os detentos agem.
Conforme a assessoria da Agepen, as ações de hoje foram pontuais. Policiais do Batalhão de Choque realizaram operações pente-fino em busca de armas artesanais, drogas e celulares. Militares do Bope (Batalhão de Operações Especiais) participaram da ação para intervir em possíveis casos de motim e rebelião.
Greve e possíveis rebeliões Nas últimas semanas, detentos de diversas unidades prisionais do Estado iniciaram um movimento grevista que pedia melhores condições dentro dos presídios.
Atividades como limpeza, estudos em salas de aula e atendimento jurídico foram suspensas pelos presos, que cobravam melhores atendimentos na alimentação, saúde e lotação das celas. Possíveis rebeliões também foram anunciadas.
Para os detentos, o movimento era motivado por conquista de direitos humanos. Para as autoridades, o protesto era por causa dos testes que antecedem a instalação de bloqueadores de celulares.
Bloqueadores de celulares e novas medidas Testes constantes em aparelhos bloqueadores de celular estão sendo realizados no Presídio de Segurança Máxima, em Campo Grande. A intenção é garantir o corte de sinal dentro das cadeias sem interferir na comunicação de moradores da região, segundo a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública.
A instalação dos dispositivos, para a Agepen, se faz necessária para evitar que detentos articulem, por meio de telefone, crimes de dentro dos estabelecimentos penais. Novas medidas ainda são anunciadas pela Segurança Pública do Estado.
O Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) informa que vem trabalhando para antecipar informações sobre quaisquer alterações nas rotinas dos presídios. Para eles, essa é uma forma que possibilita a Sejusp a tomar medidas necessárias.
Ações na saúde Em ações que vêm ocorrendo nos últimos dias, seis detentos foram encaminhados para atendimento médico em hospitais de Campo Grande. O estado de saúde deles era considerado grave. Houve reforço nos atendimentos em saúde.
O fornecimento de medicamentos foi revisado e, conforme a Agepen, não há falta de remédios constantes na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais. Uma médica psiquiatra concursada foi nomeada e já está atendendo doentes psiquiátricos.




