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Policial

"Agora é ano novo e vida nova", diz mulher que viveu 22 anos com os filhos em cativeiro

O aposentado pretende levar a filha para a sua casa, localizada a poucos metros de onde ela vivia em cativeiro, no Bairro Aero Rancho

Correio do Estado

20 de Dezembro de 2013 - 07:55

Ontem à tarde, um dia após ter sido libertada, Cira Higino Silva, 44 anos, teve outra forte emoção: voltou a abraçar seu pai, Adão Sabino da Silva, 74 anos. A reportagem está na edição desta sexta-feira (20) no jornal Correio do Estado.

O aposentado pretende levar a filha para a sua casa, localizada a poucos metros de onde ela vivia em cativeiro, no Bairro Aero Rancho, assim que ela puder deixar o abrigo, para onde foi levada com os filhos. O encontro foi no Centro de Referência e Assistência a Mulher Vítima de Agressão.

“O meu coração está em tempo de explodir de alegria. Depois de Deus ter resgatado eles para mim”, disse Adão, visivelmente emocionado. “Passei metade da minha vida presa, e agora espero uma vida melhor”, afirmou Cira. “Agora é ano novo e vida nova”, complementou.

Filme de Terror

“Era como um filme de terror, uma coisa de outro mundo”. Assim um morador que pediu para ter o nome preservado refere-se ao que acontecia na casa do Conjunto Aero Rancho, onde uma mulher e seus quatro filhos viveram em cárcere privado por pelo menos 22 anos.

A situação assemelha-se a outra que ganhou as principais manchetes de publicações no mundo inteiro, na cidade norte-americana de Cleveland, em maio deste ano. Ariel Castro foi preso, acusado de manter em cativeiro na própria casa as jovens Amanda Berry, 27, Gina DeJesus, 23, e Michelle Knight, 32, por 10 anos. Condenado à prisão perpétua, ele foi encontrado morto em sua cela quatro meses depois.

Um dia após o resgate da família do imóvel situado na Rua Alagoinhas, o medo ainda impera entre a vizinhança, mas também uma sensação de que a justiça foi feita. Descrito como de temperamento agressivo, Ângelo da Guarda Borges era temido pelos moradores e evitava o contato com vizinhos, que não podiam sequer passar olhando para a sua casa sem serem intimidados.

Pela mesma situação de terror passavam os filhos e a mãe, que foi obrigada a cortar relações com os pais e uma irmã há mais de 10 anos, após o sogro tê-lo denunciado por violência doméstica contra ela. “Ninguém tinha coragem de denunciar porque tinha medo dele”, reconheceu uma moradora, que pediu para ter o nome preservado.