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Policial

"Brincadeira" com mangueira que feriu jovem não é crime sexual, explica delegado

Para a polícia, o homem, que é amigo da família do adolescente, vizinho e também quem indicou o jovem para o trabalho, disse que correu atrás do jovem e o carregou no ombro

Midiamax

07 de Fevereiro de 2017 - 09:29

A investigação sobre a agressão a um adolescente de 17 anos em um lava jato de Campo Grande chegou nesta segunda-feira (6) para a delegacia especializada. O caso aconteceu na sexta-feira (3) e segundo o delegado responsável, ainda não há necessidade de pedir a prisão preventiva dos agressores.

Segundo o delegado Paulo Sérgio Lauretto, titular da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), o caso, por ora, é tratado como lesão corporal grave, porque até o momento não houve indícios de que os agressores tiveram a intenção de matar o adolescente. “Eles, de fato, prestaram um primeiro depoimento na 4ª Delegacia”, afirmou a autoridade.

De acordo com Lauretto, responsável pela investigação do caso, os agressores, de 20 e 31 anos, contaram a princípio que quem teria começado a ‘brincadeira de mau gosto’ havia sido o próprio adolescente, que colocou a mangueira do compressor de ar na porta do banheiro em que estava o amigo, de 31 anos.

Para a polícia, o homem, que é amigo da família do adolescente, vizinho e também quem indicou o jovem para o trabalho, disse que correu atrás do jovem e o carregou no ombro. Ele teria levado o adolescente até o local onde estava o rapaz de 20 anos, que então pegou a mangueira e, por cima do short que o garoto usava, colocou a saída de ar no ânus da vítima.

O delegado afirmou que, por enquanto, a polícia entende que os agressores não tiveram a intenção de matar o adolescente, pois achavam que a ‘brincadeira’ não teria consequências tão graves. Mesmo assim, eles serão indiciados pela lesão corporal grave, que prevê de 1 a 5 anos de prisão, podendo ser configurada lesão corporal gravíssima, com pena de 2 a 8 anos de prisão.

Ainda no depoimento do homem de 31 anos, eles só entenderam que a situação era grave quando viram o adolescente passar mal e vomitar, quando o levaram ao CRS (Centro Regional de Saúde) do Tiradentes e, de lá, ele foi levado para a Santa Casa.

“A polícia vê que eles assumiram o risco de lesão grave, mas entende que não houve intenção de morte ou de abuso sexual”, afirmou o delegado. Ainda segundo ele, para que seja feito o pedido de prisão preventiva, é necessário que os agressores estejam ameaçando a família da vítima ou mesmo tentando prejudicar as investigações. Como isso ainda não foi identificado pela polícia, não houve o pedido.

O menino de 11 anos, filho da sogra do proprietário do lava jato, também contou a mesma história à polícia. Ele estava no estabelecimento e presenciou o fato. Até agora, o ponto de divergência dos depoimentos trata se o adolescente teve ou não o short baixado pelos agressores. A mãe do adolescente chegou a dizer que o amigo da família confirmou que eles tiraram o short do menino, mas para a polícia, negou o fato.

A Depca segue com a investigação do caso e ouve outras testemunhas. Os agressores podem ser intimados para prestarem depoimento oficial nos próximos dias.