Policial
Célula neonazista é investigada em Dourados após denúncia de ameaças
O autor ao ameaçar o rapaz branco fez menção à namorada dele, ‘fica esperto, você e sua índia, você já está marcado’”, explicou Souza detalhando o caso.
Dourados News
25 de Março de 2026 - 17:00

Indícios de atuação de uma célula neonazista em Dourados são investigados pela Polícia Civil, após uma denúncia feita pelo Comafro (Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Afro-brasileiros).
Segundo o presidente Ailson do Carmo de Souza, foi entregue um ofício à 1ª DP (Delegacia de Polícia) trazendo um relatório com informações apuradas pelo conselho com dois jovens ligados ao movimento hip hop, que teriam sido vítimas de ameaças por outros dois rapazes de 18 e 17 anos de idade.
“Um deles [vítimas] é negro, o outro é branco e namora com uma moça indígena. O autor ao ameaçar o rapaz branco fez menção à namorada dele, ‘fica esperto, você e sua índia, você já está marcado’”, explicou Souza detalhando o caso.
Ainda conforme o Comafro, as ameaças teriam sido feitas pela internet, onde a dupla também teria divulgado em redes sociais e aplicativos de mensagens, imagens que fazem apologia ao nazismo, como cruz suástica, cruz de ferro e bandeira, além da marca da banda britânica de neofolk Death in June que utiliza uma Totenkopf (‘cabeça de morte’, em alemão), símbolo atribuído a militares de grupos de extermínio.
Também constaria no relatório a existência de uma articulação entre os suspeitos e possibilidade de disseminação da ideologia em ambiente escolar. Isso porque o menor de idade seria um aluno de uma escola pública de Dourados.
“Para o conselho, o caso acende um alerta sobre a presença e o possível crescimento de grupos extremistas na região. A entidade reforça que práticas dessa natureza representam ameaça direta aos direitos humanos e ao Estado Democrático de Direito, especialmente por atingirem populações historicamente vulnerabilizadas”, descreve a entidade em nota.
Ao receber a denúncia, foi registrado um Boletim de Ocorrência. “Foram iniciadas investigações preliminares, por meio do Setor de Investigação da 1ª DP, para qualificar e responsabilizar os autores de tal delito”, explicou o titular da delegacia, José Carlos Almussa Junior.
A apologia ao nazismo é enquadrada como crime de Racismo, com pena de reclusão de dois a cinco anos, sendo imprescritível e inafiançável, principal foco da polícia.
O Comafro também pede apuração da ameaça e possível organização criminosa.




