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Policial

Cigcoe confirma abordagem, mas nega envolvimento com sumiço de jovem

O adolescente teria sido abordado junto com um grupo de cerca de dez pessoas durante ronda policial na Rua dos Eucaliptos, por volta das 22h30

Midiamax

01 de Abril de 2011 - 08:33

A Polícia Militar convocou a imprensa na tarde de hoje para pra dar sua versão sobre o desaparecimento de um adolescente de 16 anos logo após ter sido supostamente abordado por policiais da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe) no Bairro Jardim Imperial, região norte de Campo Grande.

Segundo o comandante da Cigcoe, major Massilon de Oliveira Silva Neto, o sumiço do jovem não tem relação com a abordagem realizada pela guarnição na noite da última terça-feira (29).

“Existem dois fatos: a abordagem feita pela polícia e o sumiço do jovem. Uma não é a causa da outra. Ele não sumiu porque foi abordado”, comparou o major. “Tenho plena confiança nos homens que comando e estamos trabalhando para provar que ele foi liberado logo após a abordagem”, disse.

O adolescente teria sido abordado junto com um grupo de cerca de dez pessoas durante ronda policial na Rua dos Eucaliptos, por volta das 22h30. Testemunhas disseram na delegacia que o jovem foi colocado no camburão por um soldado, e desde então não foi mais visto.

A Cigcoe nega que o jovem tenha sido colocado na viatura. Segundo o comandante, dois fatos podem provar isso: uma segunda abordagem, feita pouco tempo depois, em que no momento não havia ninguém dentro do camburão, e um atendimento solicitado em um posto de saúde para um sargento que teria machucado a mão. No momento, segundo o major, também não havia ninguém dentro do veículo policial.

Ainda de acordo com o major, duas abordagens foram feitas seguidamente naquela noite pelos quatro policiais da guarnição. Primeiramente o adolescente desaparecido foi abordado sozinho. Depois, em uma casa, outro grupo de adolescentes foi revistado. O major acredita que este grupo não viu a primeira abordagem. Ninguém foi preso, porém alguns dos envolvidos já tinham passagem pela polícia.

Indagado se algum policial envolvido na ação tem contra si algum processo administrativo, o major não soube informar. “As abordagens são feitas diariamente. Qualquer cidadão que se sentir ofendido por procurar a corregedoria. Quem trabalha na rua geralmente tem processo administrativo”, contornou. Ele ainda negou que os policiais tenham sido truculentos durante a abordagem. “Não houve necessidade”, frisou.

O caso foi denunciado à Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS, que acompanha a investigação policial. A entidade também encaminhou informações à 24ª Promotoria de Justiça em Campo Grande.

Mãe diz que testemunhas viram filho dentro da viatura

Elizângela de Campos, mãe do jovem, garante que testemunhas viram o filho sendo levado pelo camburão. Segundo ela, um jovem inclusive já prestou depoimento na delegacia contando sua versão.

“Eles [testemunhas] falam que o viram. Falam que bateram nele e colocaram dentro do camburão”, relata. Ela garante que o jovem não bebe, não é dependente químico nem tem passagem pela polícia.

Além do filho desaparecido, Elizângela tem outros três: um que mora na Espanha e mais duas filhas que vivem com o pai.

Corregedoria da PM já abriu inquérito

O tenente-coronel Washington Geraldo Francisco de Oliveira, corregedor-chefe da Polícia Militar, disse que já abriu inquérito para averiguar as denúncias. Ele esclareceu ainda que o inquérito “é para apurar, e não para culpar”. Segundo ele, alguns policiais já foram ouvidos e deverão prestar depoimento novamente.

“O inquérito vai parar na justiça se os PMs forem culpados ou não. Isso não vai morrer na polícia. A corregedoria tem que ser imparcial”, garante. “A verdade vai aparecer, seja ela qual for”, finaliza.