Policial
Com lista de 5 para executar, PCC tenta envenenar agentes em MS
Na maioria das unidades penitenciárias do Estado, a comida dos agentes é feita pelos próprios detentos, o que coloca em risco a vida dos servidores.
Campo Grande News
30 de Junho de 2017 - 13:37
A comida de agentes penitenciários do presídio de Segurança Máxima de Campo Grande precisou ser substituída por pizza na noite desta quinta-feira (29). A denúncia de um plano de envenenamento do PCC (Primeiro Comando da Capital) deixou agentes em alerta, principalmente, porque há a informação de que a organização criminosa já teria preparado uma lista, com cinco nomes de agentes, com ordem de execução nos próximos dias.
De acordo com a Agepen (Agência de Administração do Sistema Penitenciário) o serviço de inteligência da agência identificou uma ameaça de envenenamento e, por precaução, a comida dos servidores foi substituída.
"A substituição foi uma medida preventiva, tendo em vista que a alimentação já não é mais feita por presos. Mas, como havia presos trabalhando em servicos de manutenção próximos ao local, optou se por substituir a alimentação", explicou a Agepen, na tarde desta sexta-feira (30).
Conforme informações apuradas pela reportagem, a mesma suspeita foi levantada no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, no entanto, na unidade, não houve substituição da marmita.
A direção da Máxima está tomando todas as medidas preventivas possíveis, inclusive, irá instalar câmeras de monitoramento no local, informou a assessoria da agência.
Na maioria das unidades penitenciárias do Estado, a comida dos agentes é feita pelos próprios detentos, o que coloca em risco a vida dos servidores. Na Máxima da Capital, o serviço de cozinha é terceirizado, no entanto, o alimento é servido pelos presos aos agentes.
Não existe amparo ao servidor penitenciário. Nós estamos abandonados, desvalorizados, é um risco muito alto, considera o presidente do Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária), André Luiz Santiago.
Lista de execução Conforme apurou o Campo Grande News, as ameaças de envenenamento são em decorrência de uma lista feita pelo PCC, para a execução de cinco agentes penitenciários em Mato Grosso do Sul.
A lista teria nomes de servidores que atuam em Naviraí, Dourados e Campo Grande. Os agentes, inclusive, já teriam sido avisados pela Agepen e afastados de suas atividades por alguns dias, por uma questão de segurança. Mas, não receberam nenhum tipo de proteção especial.
A Agepen disse que, por questões de segurança, não informa a existência de ameaças a seus servidores, mas garante que em qualquer caso identificado, o servidor é imediatamente informado e afastado de seus serviços.
Insegurança - Atualmente, Mato Grosso do Sul tem 1,5 mil agentes para atender em torno de 16 mil presos e a insegurança é parte da rotina da função.
Em 2015, o agente Carlos Augusto Queiroz de Mendonça, 44 anos, foi morto a tiros na frente do Estabelecimento Penal de Regime Aberto e Casa do Albergado de Campo Grande.
Conforme levantamentos da polícia, a vítima não teve tempo de reagir. Assim que chegou na recepção, o autor acertou dois tiros no abdômen. Mendonça tentou correr, mas caiu. O autor disparou mais dois tiros, acertando as costas.
No ano passado, cinco agentes que passaram mal depois de serem envenenados com o raticida conhecido como chumbinho, na penitenciária de Segurança Máxima da Capital.
Os servidores tiveram vômito, diarreia, pressão alta, tontura e até desmaio, depois de tomarem café no presídio.
Também no ano passado, o agente Enderson Antônio Bogas Severi, de Naviraí, foi baleado quatro tiros em diferentes partes do corpo quando seguia para o serviço em uma moto. Ele foi abordado por quatro homens em duas motos minutos depois de deixar o filho em uma creche.
O sindicato se admira com o posicionamento do Estado que, perante ameaças graves, não toma medidas contundentes para salvar a vida do servidor. Geralmente os ameaçados são servidores corretos, que fazem investigações, descobrem as coisas e impedem que os planos criminosos sigam adiante, precisam ser valorizados e protegidos, considera Santiago.




