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Policial

Com medo de prisão, empresários e executivos voam para o Exterior

Assustados com os fatos, e com a boataria sobre ordens de prisão que grassa no Grand Monde, alguns decidiram levantar voo

Conjuntura On-line

11 de Setembro de 2014 - 10:37

É de Apparício Torelly, ou Aporelly, o Barão de Itararé, a frase "Há qualquer coisa no ar, além dos aviões de carreira". No momento, além dos aviões de carreira deve haver jatinhos no ar. Voando para o exterior. Teve início há semanas -e prossegue com vindas e idas- uma revoada de executivos, e mesmo donos de algumas das empresas citadas em investigações da "Operação Lava Jato".

Aquela do escândalo na Petrobras. Há investigações paralelas. A Controladoria- Geral da União (CGU) atua em colaboração com outras instituições e rastreia o uso de dinheiro público.

 A Polícia Federal prendeu, entre outros, o doleiro Alberto Youssef e o agora delator Paulo Roberto. A Petrobras, onde Paulo Roberto Costa foi Diretor de Abastecimento, também faz uma devassa. Algumas empresas e executivos foram convidados a confirmar certos detalhes do exposto pelo delator; em resumo, sobre frutos da relação entre corruptos e corruptores.

Assustados com os fatos, e com a boataria sobre ordens de prisão que grassa no Grand Monde, alguns decidiram levantar voo. Sinal dos tempos. Na investigação das ações de PC Farias no governo Collor, o inquérito-mãe da PF tinha 100 mil páginas.

À época foram indiciados mais de 100 empresários e de 400 empresas. Tudo prescreveu. Preso só PC Farias, e por ter cometido os mesmos erros de Al Capone. Naqueles dias, os de PC no governo Collor, fraude no Imposto de Renda dava cana. Iniciativa, a cadeia para tombos no leão, tomada na esfuziante largada da aventura Collorida. Num pós Natal, ninguém prestando atenção, caiu tal lei. Logo no início do governo FHC.

Segundo a CGU, nos últimos 12 anos 4.938 funcionários públicos foram expulsos ou tiveram cassadas suas aposentadorias. Desses funcionários,119 eram da própria Polícia Federal. PF que nesse período, e até maio último, fez 2.226 operações com 24 mil 881 presos.

 No rastro da legislação pós Collor e de CPIs Brasil afora, de vereadores até o topo dos legislativos e executivos cerca de 700 políticos tiveram direitos cassados desde meados e final dos anos 90. Hoje a metade do Congresso Nacional, 224 parlamentares, responde a 542 acusações no Supremo Tribunal.

 Paulo Roberto Costa mudou de opinião e decidiu delatar. O doleiro Youssef não tem sido aconselhado a fazer e não pretende o mesmo. Até aqui. Mas, diante dos fatos e boatos, há algo no ar além dos aviões de carreira.