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Policial

Comunidade se revolta com morte de indígena e organiza protestos

O pai tentou pedir ajuda, mas quando retornou ao local o filho já estava morto. A ação revoltou os moradores da aldeia.

Dourados Agora

13 de Junho de 2013 - 16:45

Clima de tensão predomina entre indígenas da aldeia Paraguassu e produtores rurais no município de Paranhos; um conflito pode ser desencadeado a qualquer momento. Nesta quarta-feira o indígena Celso Figueiredo, de 34 anos, foi assassinado com dois tiros de espingarda, em circunstâncias caracterizadas pela comunidade como uma emboscada.

Segundo a polícia, a vítima e o pai seguiam por uma estrada vicinal rumo a uma fazenda próxima, quando foram abordados por um homem encapuzado que portava uma espingarda. O desconhecido atirou contra Celso, fugindo em seguida. O pai tentou pedir ajuda, mas quando retornou ao local o filho já estava morto. A ação revoltou os moradores da aldeia.

“Nós sabemos quem pode ter sido o responsável pela morte de nosso patrício e não vamos deixar barato. Tenho plena certeza que foi algo tramado para que houvesse uma execução”, disse Jacy Duarte Verá, indígena da etnia kaiowá. Conforme apurado, Celso era ex-funcionário da fazenda a qual se dirigia com o pai, e iria buscar dinheiro referente a um pagamento.

Indignada, a comunidade prometeu que vai enterrar o corpo da vítima dentro da propriedade rural, mesmo que seja à força. Nesta manhã a Polícia Federal compareceu com um representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi); o objetivo era amenizar o clima e evitar possíveis ataques, entretanto, os indígenas se mostraram irredutíveis e afirmaram que vão realizar o enterro à sua maneira, como forma de protesto.

“Estávamos tranquilos e nunca havíamos provocado ninguém. Agora os produtores encontraram o que estavam procurando e vamos realizar esse enterro dentro da fazenda onde Celso trabalhou. Também pensamos em ocupar as terras da região, que são nossas por direito”, afirmou Jacy. Na aldeia Paraguassu residem aproximadamente 600 pessoas e pouco mais de 100 delas organizam o manifesto.