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Policial

Corpo de boliviano é devolvido à família 75 dias após a morte em MS

Prefeitura de Nova Andradina e Consulado Boliviano em Corumbá estiveram envolvidos para cortar custos e viabilizar documentação.

Correio do Estado

28 de Abril de 2026 - 13:23

Corpo de boliviano é devolvido à família 75 dias após a morte em MS
Corpo de boliviano é devolvido à família 75 dias após a morte em MS - divulgação

Um mal súbito em 8 de fevereiro de 2026, no município de Nova Andradina, levou Roberto Castellon Choque, de 18 anos, à morte. Ele tinha saído de Cochabamba, na região dos altiplanos da Bolívia, e percorrido mais de 2,5 mil quilômetros para tentar trabalho em São Paulo, em 2025.

Acabou não se adequando à realidade das fábricas de roupa onde iria trabalhar e decidiu voltar para Bolívia. Depois que ele faleceu e exames de necrópsia identificaram o mal súbito, houve grandes desafios para encontrar familiares. Vindo de uma família humilde, o corpo de Roberto não tinha um destino certo para seguir.

Porém, uma operação diplomática permitiu a repatriação do corpo dele, que chegou a Cochabamba nesta segunda-feira (27), mais de 75 dias após a morte.

O processo de repatriação, envolvendo custos de preparação do corpo, documentações, transporte de quase 800 km entre Nova Andradina e a fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Corumbá e Puerto Quijarro, viagem até Santa Cruz de la Sierra por outros mais de 600 km, sendo ainda necessário mais quase 500 km até o destino final, chegaram a ser avaliados em mais de R$ 25 mil.

O que viabilizou todo o trâmite burocrático e de diplomacia para permitir a liberação do corpo de Roberto sem a presença de um familiar teve engajamento direto da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social da Prefeitura de Nova Andradina e a Cancelaria do Ministério de Relações Exteriores da Bolívia, por meio do Consulado da Bolívia em Corumbá.

Ninguém da família de Roberto conseguiria fazer a viagem por conta dos custos e a repatriação ficaria ainda mais cara. Só essa viagem teria um custo estimado em, pelo menos, R$ 2 mil, além dos valores para transporte do corpo.

Para conseguir superar entraves financeiros, além das questões burocráticas, a Secretaria de Cidadania manteve debates diretos com a agente consular em Corumbá, Nelly Roso, e também com David Alex Arancibia Suarez, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Todos esses trâmites precisaram atender emissão de certidão de óbito, laudo médico, embalsamento por conta das viagens, autorização consular e a negociação para custeio da operação, tanto no lado brasileiro, como na Bolívia.

A Pax Regional de Nova Andradina fez a viagem e chegou à região fronteiriça no sábado (24). Por conta da mobilização no município sul-matogrossense e o fator de ineditismo sobre as tramitações, todo o traslado chegou a ser noticiado na cidade de 48,5 mil habitantes pelo site Jornal da Nova.

O agente funerário da Pax Regional, Cristiano Gomez da Silva, destacou o engajamento no município. “Foram 748 quilômetros até aqui (Corumbá). E todo mundo ajudando, desde a documentação até chegar aqui”, comentou em uma entrevista que foi acompanhada pelo canal boliviano Unitel.

Entre Puerto Quijarro até Santa Cruz de la Sierra, a Funerária Resurreción foi quem fez o translado. O proprietário da empresa, Jorge Oliva, foi quem veio buscar o corpo.

“Viemos após um chamado feito pela consulesa (agente consular) para ajudar a um compatriota boliviano. Cobramos apenas uma pequena quantia para ajudar no combustível e nada mais. Vamos levar o corpo até Santa Cruz. Depois, será entregue à empresa aérea BoA e outra funerária vai fazer os trabalhos em Cochabamba.”

Conforme apurado pelo Consulado da Bolívia em Corumbá, a pessoa mais próxima de Roberto Castellon é mãe. Ela vive em uma casa simples, feita de barro, e que fica em uma região de Cochambaba.

Volta à Bolívia

Roberto Castellon Choque retornava de São Paulo para Corumbá em fevereiro deste ano em um ônibus fretado. Ele começou a passar mal já em Mato Grosso do Sul e o motorista tentou socorro na região de Nova Casa Verde, onde há um posto de combustível. Quando o socorro chegou, ele já tinha falecido.

A Polícia Científica fez perícia no ônibus e após passar por perícia, houve a constatação médica de morte natural, sem divulgação detalhada das causas.

Nas redes sociais, o caso de Roberto gerou grande comoção, principalmente na Bolívia. O engajamento de autoridades brasileiras, principalmente da Prefeitura de Nova Andradina, chegou a ser destacado.

Também foram feitos vários elogios para a funerária Pax Regional, que acordou fazer a viagem até a fronteira cobrindo os custos.