Policial
Delegado analisa se pais de crianças mortas em incêndio foram negligentes
Sem tomar decisões precipitadas, o delegado ainda deve ouvir outras testemunhas que estiveram no local durante o incêndio, para entender melhor o que aconteceu.
Midiamax
30 de Agosto de 2016 - 10:53
A morte de um menininho de 3 anos e um bebê de 7 meses na noite de domingo (28), em um incêndio em residência no Bairro Campo Verde, é investigada pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. As causas do incêndio são apuradas e o delegado responsável também analisa se houve negligência por parte dos pais.
Conforme o delegado Weber Luciano de Medeiros, titular da 2ª DP, ele esteve na casa onde ocorreu o incêndio na tarde de segunda-feira (29) e conversou com os pais dos meninos. A autoridade contou a reportagem que estranhou o fato de os pais não terem conseguido entrar na casa e socorrer as crianças a tempo, já que a distância entre o portão da casa e a porta de entrada do imóvel é muito curta.
Sem tomar decisões precipitadas, o delegado ainda deve ouvir outras testemunhas que estiveram no local durante o incêndio, para entender melhor o que aconteceu. No entanto, Weber afirma que pode sim ter havido negligência por parte dos pais. O primeiro ponto é que os pais deixaram as crianças sozinhas e acordadas em um quarto onde havia um fogão a gás com botijão, diz o delegado.
Ainda de acordo com o delegado Weber, no quarto haviam vários materiais inflamáveis como plásticos, espuma e colchão. Pode ser que o próprio garotinho tenha mexido no fogão, dando princípio ao incêndio, mas tudo será devidamente analisado, afirma. O caso foi registrado inicialmente como incêndio, mas pode ser tratado como homicídio culposo, quando não há intenção.
O delegado também esclarece que a informação de o garotinho teria feito aniversário no mesmo dia em que faleceu não passou de uma confusão. O menino faria aniversário e completaria 4 anos no dia 28 de dezembro.
Versão da família
A bisavó das crianças, Maria da Glória, de 71 anos, contou que ouvia os gritos do menino de 3 anos, que chamava desesperadamente pelo pai enquanto a casa pegava fogo. Eu não tinha o que fazer. Chamei os vizinhos pra tentar apagar o fogo e usei a mangueira de casa, que fica do lado, disse. Ela ficou bastante assustada, passou mal e precisou ser levada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde foi medicada.
Meus bisnetos morrendo dentro de casa e eu não pude fazer nada, lamentou Maria. Uma tia das crianças, de 22 anos, contou que os outros familiares, que também moram no local, tinham saído para ir até a igreja. A mãe das crianças estava na frente da casa e o pai, que é mecânico, também tinha saído para prestar socorro a um cliente. Quando o incêndio começou, o pai tinha acabado de chegar em casa.
Assim que os pais notaram o incêndio, as chamas já estavam altas. Eles tentavam controlar o fogo e, no desespero de salvarem os filhos, queriam entrar na casa. Os pais precisaram ser contidos pelos bombeiros, que chegaram em seguida.
Apesar dos esforços de vizinhos e Corpo de Bombeiros, as crianças não foram socorridas com vida. Conforme relato do tenente Tracz, os corpos foram encontrados apenas após o combate ao incêndio. O fogo tomou conta da residência, que foi totalmente destruída. A bisavó dos meninos ainda lembrou ter ouvido três explosões, que ela imagina terem sido de dois botijões e também do gás da geladeira.




