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Policial

Exclusivo: Prisão de índio reascende clima de tensão na região da Buriti

Em represália ao que supunham tratar-se de um seqüestro ordenado por fazendeiros, os índios entraram na Fazenda Água Clara.

Flávio Paes/Região News

29 de Agosto de 2014 - 13:00

Depois de um período relativamente longo de calmaria, o  boato sobre o suposto seqüestro do índio Arcênio Duarte na quarta-feira à noite, reassentou o clima de tensão nesta região no entorno da Reserva Buriti onde os terena reivindicam como terra indígena 15 mil hectares distribuídos entre 31 fazendas localizadas entre Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti.

Em represália ao que supunham tratar-se de um seqüestro ordenado por fazendeiros, os índios entraram na Fazenda Água Clara, atearam fogo nas três casas da sede, mas acabaram deixando a propriedade de 522 hectares que até então era uma das sete ainda mantidas sob controle dos seus donos.

http://i.imgur.com/E0V9IFG.jpgDestas, cinco são em Sidrolândia: a já mencionada Água Clara, São Sebastião, Vassouras e partes de uma propriedade do prefeito Ari Basso e outra do ex-prefeito Enelvo Felini, segundo informações de lideranças indígenas. Há informações de que os índios estão se preparando para retornar a Fazenda Água Clara, desta vez para permanecer indefinidamente, toda a área.

Eles saíram da propriedade na quinta-feira, depois de ficar esclarecido o que Arcênio Duarte na realidade não havia sido seqüestrado, sim, preso por policiais militares a paisana, por porte ilegal de arma. A reportagem do RN esteve na manhã desta sexta-feira na sede Fazenda Água Clara. O proprietário retirou as 900 cabeças que haviam no pastagem e todos os funcionários foram embora.

O impasse em torno da questão da Reserva Indígena se arrasta há mais de um ano. O Governo Federal que em junho do ano passado chegou anunciar a compra das 31 propriedades, até agora não conseguiu fechar o laudo de avaliação das fazendas que servirá  de base para a indenização dos produtores.

De um lado, os produtores rurais não abrem mão dos R$ 124 milhões, apresentados no laudo elaborado por uma empresa particular. Do outro, o Incra, autor do estudo que estipulou a indenização, inicialmente, em R$ 78 milhões que, em seguida, subiu para R$ 80 milhões, após negativa da classe produtiva.

Foto: Marcos Tomé/Região News

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A solução, agora, depende do Incra, considera o secretário-adjunto da Seprotur (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário e Produção), Pedro Pedrossian Neto. “(O Incra) errou por R$ 44 milhões, e é preciso que volte atrás no valor. O poder de caneta está com a União, mas o governo do Estado está empenhado para fazer valer os R$ 124 milhões, não tem como ser menor que isso”, afirma.

“Os laudos (o privado e o do Incra) foram feitos com metodologias diferentes, mas usamos uma com mais acurácia, mais fidedigno. Então, tudo depende do Incra mudar”, reforçou o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Eduardo Ridel, após a reunião.