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Policial

Joziel, baleado na Fazenda São Sebastião, está de volta a Buriti após 52 dias internado

O terena foi baleado cinco dias depois que seu primo, Oziel Gabriel, também da etnia terena, morreu durante um confronto com a polícia.

Flávio Paes/Região News com informações do G1=MS

09 de Agosto de 2013 - 07:39

O terena Joziel Gabriel Alves, 34 anos, baleado nas costas na Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, reencontrou-se nesta quinta-feira (8) com parentes e amigos da aldeia Buriti, onde mora. Ele desembarcou em Campo Grande na quarta-feira (7) vindo de Brasília, onde ficou 52 dias internado, e ficou um dia na capital. Atingido por um disparo na coluna cervical, Joziel agora precisa da cadeira rodas para se locomover.

Alves foi recepcionado por um grupo de índios que o aguardava na rodovia perto da estrada que dá acesso à comunidade. Ao chegar em casa, foi cercado por diversas pessoas e pediu que todos se alegrassem com seu retorno.

“Não via o momento de chegar em casa. Sabia que na minha comunidade, ia sobrar gente para cuidar de mim de perto”, falou Alves. Junto com o grupo que havia ido visitá-lo, o indígena rezou e depois cantou algumas músicas com o acompanhamento de violão e sanfona trazidos por vizinhos.

O terena foi baleado dia 04 de junho, cinco dias depois que seu primo, Oziel Gabriel, também da etnia terena, morreu durante um confronto com a polícia durante reintegração de posse na Fazenda Buriti. Alves foi encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande inconsciente e no dia 18 de junho foi levado para o Distrito Federal.

À época, o indígena foi levado para Brasília em uma aeronave da Força Aérea Brasileira em que foi montada uma Unidade de Tratamento Intensivo. Somando com o período que ficou na Rede Sarah, no Distrito Federal, o terena passou 68 dias hospitalizado.

Esperança

Gilmar Verón, uma das lideranças indígenas da Aldeia Buriti, comentou o acordo feito nesta quarta-feira (7) em reunião na sede do Ministério da Justiça, em Brasília, que sinalizou a possibilidade de indenizar os fazendeiros donos de propriedades nas áreas reivindicadas pelos terena, que poderiam então viver no local.

“Espero que o Governo Federal cumpra o acordo, compre as terras, indenize os fazendeiros e devolva a terra aos índios. Nós estamos cansados da espera e da morosidade”, finalizou. Com informações do G-1.