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Policial

Justiça ainda não decidiu sobre denúncia um mês depois de PRF matar empresário

O policial rodoviário federal continua preso na sede do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) desde dia 5 de janeiro.

Correio do Estado

31 de Janeiro de 2017 - 14:41

A morte do empresário Adriano Correia do Nascimento, de 33 anos, completa um mês hoje. A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o policial rodoviário federal Ricardo Moon, de 47 anos, foi oferecida há 8 dias para a Justiça e ainda não houve decisão.

O promotor responsável pela acusação, Eduardo José Rizkallah, apresentou a denúncia acusando o PRF por homicídio doloso, duas tentativas de homicídio e fraude processual, na última segunda-feira (23).

No dia do oferecimento da denúncia, o promotor afirmou que o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande, tinha prazo de cinco dias para definir se acataria ou não a denúncia. O prazo venceu ontem, e até agora não houve novidade no processo.

ACUSAÇÃO

Em sua acusação, o promotor Eduardo José Rizkallah justifica o pedido de investigação do delegado e dos outros policiais, afirmando que "há indícios de terem induzido o juízo ao erro e produzisse efeito para beneficiar o acusado". Enilton Zalla foi o primeiro delegado plantonista a atender a ocorrência, em 31 de dezembro.

No dia do crime, Ricardo Moon voltou a se apresentar na delegacia, horas depois do crime, e outro delegado plantonista, João Eduardo Davanço, encerrou o registro da ocorrência e decretou a prisão dele. No andamento do inquérito, a delegada responsável foi Daniela Kades.

Rizkallah quer ainda a perda do cargo público e quebra do sigilo telefônico de Moon, "pois consta que o PRF manteve contato através de diversas ligações telefônicas durante a ocorrência e posterior aos fatos", sustenta a denúncia apresentada à 1ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande.

O policial rodoviário federal continua preso na sede do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) desde dia 5 de janeiro. Em 31 de dezembro ele foi detido, mas acabou solto na noite do domingo (1º).

O CASO

O empresário Adriano Correia do Nascimento foi morto por um policial rodoviário federal após briga de trânsito dia 31 de dezembro, no Centro de Campo Grande.

A vítima foi atingida por cinco disparos, constatou a perícia. O crime aconteceu enquanto vítima e dois amigos retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.

Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. O caso ocorreu na Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à Capela da Pax Mundial.

Adriano era proprietário do Madalena Restaurante e de uma unidade do Sushi Express. Ele estava na casa noturna com dois homens da família antes de ser morto.

De acordo com testemunhas, por volta das 5h50, ele e os acompanhantes seguiam em uma caminhonete Toyota Hilux pela Ernesto Geisel, quando perto do cruzamento com a Avenida Afonso Pena supostamente teriam fechado a Mitsubishi Pajero ocupada pelo PRF.