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Policial

Laudo de garoto agredido em lava-jato está inconsistente, diz delegado

Paulo Sérgio Lauretto pediu mais informações a médico legista. Adolescente de 17 anos morreu depois de 11 dias internado em MS.

G1 MS

24 de Fevereiro de 2017 - 15:40

O delegado Paulo Sérgio Lauretto, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), pediu mais informações ao médico legista sobre o exame necroscópico do adolescente Wesner Moreira da Silva, de 17 anos, que morreu depois de 11 dias internado por causa de ferimentos causados por mangueira de compressão de ar de um lava-jato de Campo Grande.

Segundo Lauretto, o exame necroscópico chegou à Depca na quinta-feira (23), mas não esgotou todas as dúvidas. O prazo para a resposta é de 10 dias. “Percebi algumas informações que não estão consistente”, disse o delegado que comparou com o laudo que confirmou lesão corporal grave.

Wesner morreu no dia 14 de fevereiro de 2017 depois de ficar 11 dias internado na Santa Casa e perder parte do intestino. Segundo as investigações, o dono do lava-jato Thiago Demarco Sena e o funcionário William Henrique Larrea teriam segurado e acionado a mangueira de compressão de ar no ânus do garoto.

A vítima morreu por causa de uma complicação no esôfago que causou hemorragia seguida de parada cardiorrespiratória. O adolescente chegou a apresentar melhora durante o tempo de internação e gravou um vídeo agradecendo as orações recebidas.

O delegado afirmou que a mangueira de compressão de ar não foi introduzida no ânus, mas a força de ar o feriu de tal maneira que o adolescente perdeu parte do intestino grosso. Na época, os suspeitos disseram que tudo foi uma “brincadeira” e a polícia entendeu que não houve conotação sexual, por isso o caso foi registrado como lesão corporal.

A polícia pediu a prisão dos suspeitos no dia da morte da vítima, mas o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri Carlos Alberto Garcete de almeida negou o pedido de prisão preventiva. O magistrado declarou conflito negativo de jurisdição, ou seja, que a competência para julgar não seria do Tribunal do Júri, mas da Vara Criminal.

Investigação

No dia 3 de fevereiro, o dono do lava-jato e o outro funcionário colocaram mangueira de compressão de ar perto do ânus do adolescente.

Os suspeitos e uma criança de 11 anos, que testemunhou o crime, disseram que o fato era uma brincadeira, mas dias antes de morrer, o adolescente negou que a agressão tivesse sido brincadeira.

Wesner Moreira da Silva foi socorrido em estado grave pelos suspeitos. O jato de ar causou diversas lesões e fez o garoto perder parte do intestino. Ele ficou internado na Santa Casa de Campo Grande por 11 dias antes de morrer.  O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

Enquanto esteve no hospital, o adolescente contou para a família detalhes sobre a agressão, disse que perdoava os suspeitos, mas pediu que eles fossem presos, segundo a família.

Os suspeitos podem ser indiciados por lesão corporal grave seguida de morte ou por homicídio doloso. A tipificação será definida pela Depca na conclusão do inquérito, segundo Lauretto. O delegado ainda esclareceu que, a princípio, o caso não foi registrado como abuso porque não ficou evidente a conotação sexual.

Thiago Demarco Sena e Willian Henrique Larrea não tinham ficha criminal. Este último era amigo da família da vítima.