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Policial

Lutador que matou hóspede tem transtorno mental e pode ser internado

Se o juiz considerar o resultado do exame, poderá reduzir a pena ou então encaminhar o réu para internação em uma clínica psiquiátrica a ser designada pelo Estado

Correio do Estado

21 de Fevereiro de 2017 - 07:18

O lutador Rafael Martinelli Queiroz, 29 anos, que em abril de 2015 matou o engenheiro Paulo César de Oliveira, 48 anos, dentro de um hotel em Campo Grande, foi diagnosticado com transtorno de borderline, condição mental caracterizada por humor, comportamentos e relacionamentos instáveis. Segundo laudo pericial, o faixa-preta de jiu-jitsu não pode ser totalmente responsabilizado por seus atos.

Se o juiz considerar o resultado do exame, poderá reduzir a pena ou então encaminhar o réu para internação em uma clínica psiquiátrica a ser designada pelo Estado. Rafael vai a júri popular em março, porém, a data do julgamento ainda não foi definida.

De acordo com  a advogada de defesa Fábia Favaro, Rafael segue recolhido em uma ala especial do Instituto Penal da Capital, onde compartilha espaço com outros internos que também necessitam de cuidados especiais. “Ele recebe acompanhamento psicológico regular e faz uso de medicamentos controlados”, disse Fábia.

No ano passado, Rafael foi submetido ao teste de “Rorschach”, também conhecido como  teste do borrão de tinta, que serve para especialistas se aprofundarem na personalidade do sujeito, levantando elementos que podem auxiliar na compreensão do crime. O mesmo método foi aplicado, por exemplo, ao jovem Dhionatam Celestrino, o Maníaco da Cruz, que matou três pessoas na cidade de Rio Brilhante.

Consequentemente o lutador foi diagnosticado com transtorno de borderline, cujo os sintomas consistem em instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas, que podem potencializar a agressividade do indivíduo. Neste aspecto, a defesa espera que o lutador seja julgado de uma maneira razoável, considerando seus problemas mentais.

“Uma das possibilidades é internação em clínica, que muito provavelmente seria em São Paulo, onde reside a família dele”, observou a advogada.

 CRIME

Na noite do dia 18 de abril de 2015, Rafael veio com a namorada de Valparaíso (SP) para Campo Grande, para participar de um evento de jiu-jitsu realizado no Ginásio do Círculo Militar. Enquanto estava um hotel na região do Bairro Amambai, se envolveu em discussão com a namorada que saiu correndo do quarto. Descontrolado, Ele a perseguiu pelos corredores e se deparou com o engenheiro eletricista Paulo César, que havia aberto a porta para observar o que acontecia, depois de ouvir os barulhos.

Com 140 quilos e especialista profissional em combate, Rafael atacou a vítima covardemente dentro do quarto, a derrubou no chão e golpeou sua cabeça com uma cadeira de madeira, matando-a. Mais tarde, se entregou à polícia.