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Policial

Menino aprendeu a atirar com o pai, diz delegado que investiga chacina

Nas mãos do jovem a polícia não encontrou pólvora. No carro da família, no entanto, foi achado um par de luvas que será periciado na tentativa de encontrar algum vestígio.

Folha

09 de Agosto de 2013 - 14:10

O estudante Marcelo Pesseghini, 13, aprendeu a atirar com o pai, Luis Marcelo, e a dirigir com a mãe, Andreia, segundo o delegado Itagiba Franco, que investiga o crime. O garoto e outros quatro integrantes da sua família foram encontrados mortos com tiros na cabeça na segunda-feira (5) dentro de casa, na Brasilândia (zona norte de SP).

A afirmação foi obtida por meio do depoimento de um policial militar que é amigo de Andreia. É o mesmo PM que foi à casa das vítimas ao se dar conta de que a policial Andreia não foi trabalhar. "O menino sabia dirigir porque a mãe ensinava e sabia atirar porque o pai ensinou", disse Franco.

Em depoimento na Terça-feira, um amigo do menino disse que ele costumava repetir uma frase: "Hoje é meu último dia na escola. Amanhã eu não venho mais". Polícia Civil faz perícia no local onde ocorreu a chacina na Brasilândia, zona norte de São Paulo

O CRIME

A polícia acredita que Marcelo matou os parentes na noite de domingo (4) ou madrugada de segunda (5). Teria então dirigido até a escola, passado a madrugada no carro, frequentado as aulas de manhã, voltado de carona para casa e se matado.

A família foi achada em casa anteontem, todos com tiros na cabeça. Luis Marcelo Pesseghini, 40, era sargento da Rota. A mulher era cabo do 18º Batalhão. As outras vítimas moravam na casa nos fundos: a mãe dela, Benedita Bovo, 65, e a tia-avó Bernadete Silva, 55.

A versão de que Marcelo é o responsável pelo crime ganhou força após o melhor amigo dele afirmar à polícia que, em diversas ocasiões, ele havia lhe dito que planejava matar a família e fugir.

"Esse amigo nos disse: 'Ele sempre me chamou para fugir de casa para ser um matador de aluguel. Ele tinha o plano de matar os pais durante a noite, quando ninguém soubesse, e fugir com o carro dos pais e morar em um local abandonado'", afirmou o delegado Itagiba Franco.

Câmeras de um imóvel na rua do Stella Rodrigues, colégio particular na Freguesia do Ó, registraram o Classic cinza de Andreia sendo estacionado à 1h25. Às 6h23, sai dele um garoto, que vai até o colégio.

Nas mãos do jovem a polícia não encontrou pólvora. No carro da família, no entanto, foi achado um par de luvas que será periciado na tentativa de encontrar algum vestígio.

Segundo a polícia, o fato de não haver vestígios do armamento não é incomum, pois a pistola.40 utilizada no crime costuma não deixar vestígios. Canhoto, Marcelo tinha na mão esquerda a pistola utilizada pela mãe.

Marcelo tinha diabetes e fibrose cística, doença degenerativa sem cura que pode levar a infecções, problemas digestivos e morte na idade adulta -mas nenhuma alteração psiquiátrica. Ele já havia reclamado da doença a professores e colegas.