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Policial

Morte de motociclista põe fim a grupo e ocorreu após doação a crianças

O empresário se apresentava como “Juinho Red Bull”, residia no Aero Rancho e desde 2013 estava em um relacionamento sério

Campo Grande News

29 de Dezembro de 2014 - 14:16

Os sonhos do empresário campo-grandense Claudionor Pedro Júnior, 29 anos, foram interrompidos na manhã de ontem (28), após acidente fatal na rodovia BR-262, saída de Três Lagoas em Campo Grande. Apaixonado por motos, planejava se casar e prosperar com a empresa de distribuição de carnes que administrava ao lado de familiares. Dias antes da morte, o rapaz demonstrou solidariedade ao doar presentes a crianças carentes. O grupo de motociclistas criado por ele há cerca de quatro anos, batizado de “Borboletas do Asfalto”, vai deixar de existir, mas como forma de homenagem, garantem amigos.

O empresário se apresentava como “Juinho Red Bull”, residia no Aero Rancho e desde 2013 estava em um relacionamento sério. Ele planejava ter filhos e tinha as motos de alta performance como umas de suas grandes paixões. Quando criou o grupo de motociclistas, quis aproximar amigos que partilhavam do mesmo pensamento; ao todo eram dez integrantes. “Era uma pessoa tranquila e muito simples. Ele organizava as atividades do grupo e também foi quem deu o nome de Borboletas do Asfalto”, disse Alexandre Melo Barbosa, 42 anos, empresário.

O acidente aconteceu no momento em que Juninho, Alexandre e outros cinco amigos retornavam de Ribas do Rio Pardo, após um passeio de moto. Roni Bispo, 27 anos, cunhado e sócio, acompanhava-o pela BR em outra moto, um pouco à frente dos demais. Logo depois de passarem por uma curva, Juninho colidiu contra um Fiat Uno que realizava uma manobra de retorno. Com o impacto, ele sofreu ferimentos graves, foi socorrido por uma ambulância, mas não resistiu e morreu.

“Eu estava com ele. Antes de bater ele perguntou se estava tudo bem comigo. O carro fez uma manobra brusca e não deu tempo de evitar. Foi imprudência do motorista do carro”, disse Roni. Uno chegou a capotar e, temendo represálias, o condutor fugiu do local.

Durante o velório na manhã desta segunda-feira (29), na capela do cemitério Parque das Primaveras, muitos ainda se perguntavam o que havia acontecido. Apesar da dor, todos se recordavam dos bons momentos que o amigo havia lhes propiciado.

“Era um garoto simples, irreverente e fazia o bem para todos”, disse o microempresário Paulo Neto, 49 anos. Marcos de Sá Nascimento, 37 anos, declarou que a partir de agora, o grupo também vai deixar de existir, em um gesto de homenagem, assim como seu idealizador. “Não vamos continuar com o grupo em homenagem a ele. O Juninho organizava tudo. A amizade entre todos vai continuar, mas o grupo acho que não. Também penso em parar de andar de moto”, afirmou o amigo.

Por sua vez, Alexandre destacou que além de boa companhia, a vítima também prestava ações solidárias. Antes do Natal, levou alegria às crianças carentes que vivem na região do Nova Lima. “Ele pegou R$ 1 mil e comprou presentes para doar”, lembrou. Abalados, familiares e amigos não conseguiram mensurar a falta que o motociclista irá fazer. “Estamos sem compreender o que aconteceu”, relatou Elio Cardoso, 34 anos.

O pai, Claudionor Pedro, lembrou que a última vez que viu o filho com vida foi na manhã do sábado (27). “Ele passou por mim e pegou uns trocados para tomar uma Coca-Cola, pois ele não bebe e nem fuma”, recordou ele, dizendo que o filho era trabalhador, e queria prosperar.

“Ele queria ganhar dinheiro e fazer a vida”, completou. Além de não beber e fumar, Juninho mantinha outros hábitos saudáveis, pois queria estar se sentindo bem para fazer o que mais gostava, que era andar de moto.