Policial
Mulher mantida em cárcere por 20 anos passa Ano Novo com a família
Cira aguarda a casa onde vai morar com os filhos ficar pronta. A obra da moradia, que já pintada de azul, já está no fim
G1 MS
07 de Janeiro de 2015 - 15:14
A dona de casa Cira da Silva, de 45 anos, mantida em cárcere privado por cerca de 20 anos em Campo Grande, voltou a viver ao lado dos pais. Ela contou que passou o Ano Novo em família. Com o meu pai, com a minha mãe, com meus filhos. Eu vi os fogos que eu nunca tinha visto, contou.
Cira aguarda a casa onde vai morar com os filhos ficar pronta. A obra da moradia, que já pintada de azul, já está no fim. O local foi erguido pelo pai de Cira, Adão Silva. Falta apenas colocar os azulejos, montar o banheiro e terminar o acabamento. Não fui eu não, foi Deus. A minha força não é minha, é de Deus, afirma o pedreiro.
Enquanto a casa não fica pronta, Cira mora com os pais. Ela cuida do almoço, da janta e da limpeza da casa. Também cuida da mãe, que se recupera de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Dona Cira diz o que quer para 2015: Quero saúde, quero paz, quero harmonia, quero tudo.
Caso
Cira foi mantida em cárcere privado pelo marido, de 58 anos, na residência em
que eles moravam no bairro Aero Rancho, região sul de Campo Grande. O caso foi
descoberto no dia 18 de dezembro de 2013. O suspeito foi preso e a dona de casa
foi libertada.
Após denúncia de vizinhos, policiais militares foram à residência e encontraram a mulher e os quatro filhos. Segundo a polícia, Cira era agredida fisicamente e apresentava hematomas, além de dentes quebrados por conta da violência.
As condições da residência também chamaram atenção da polícia. Os muros da casa tinham mais de dois metros de altura e o portão não possibilita visão para a rua. O imóvel não possuía banheiro adequado, nem chuveiro ou vaso sanitário.
As crianças, de 9 e 13 anos, frequentavam apenas a escola. O menino de 5 anos só ficava em casa por conta de não ter idade escolar e um adolescente, de 15, não estudava porque o pai não permitia.
O caso é julgado pela 2ª Vara da Violência Doméstica e Familiar da Mulher de Campo Grande.
História
Cira é de Minas Gerais e veio para o estado com a família. Trabalhou como
doméstica e, aos 22 anos, foi morar com o suspeito na capital
sul-mato-grossense. De acordo com a dona de casa, o companheiro passou a ficar
violento após o nascimento do primeiro filho do casal. Desde então, na versão
da mulher, o adolescente e os irmãos testemunharam o pai agredir a mãe e também
foram vítimas dele.
O suspeito trabalha como servente de pedreiro, passava o dia fora da residência e, apesar de ficar com as chaves do imóvel, ela não fugia do local e nem denunciava a situação por conta das ameaças que recebia e também por causa dos filhos.




