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Policial

Polícia encerra escavações em busca por ossadas e inquérito segue para conclusão

Próximo passo é concluir o inquérito, encaminhar ao Ministério Público e levar todos os acusados a júri, segundo Obara.

Correio do Estado

21 de Dezembro de 2016 - 09:13

Com ossadas de dez vítimas localizadas, a Polícia Civil encerrou hoje escavações em área do Jardim Veraneio, usada como cemitério clandestino usado por grupo de extermínio chefiado por Luiz Alves Martins Filho, o Nando, de 49 anos. Inquérito está em fase de conclusão.

Delegado responsável pelo inquérito, Márcio Shiro Obara, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio (DEH), disse ao Portal Correio do Estado que as condições do terreno tornaram inviável o trabalho.

Local é usado durante vários anos como depósito de entulho e o tempo em que as vítimas foram enterradas, houve muito acúmulo do material, que dificulta a escavação e localização dos corpos. 

Conforme Obara, o fato de entulho ser depósito no local foi um dos motivos que levaram os suspeitos a enterrarem as vítimas no terreno, como forma de dificultar que elas fossem encontradas.

“Fizemos escavação de maneira exaustiva, inclusive fora dos limites apontados pelos autores. Usamos todos os meios técnicos disponíveis, equipamentos em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e momentaneamente, as buscas foram encerradas, mas a investigação prossegue”, disse Obara.

Ainda conforme a autoridade policial, laudos devem ser anexados ao inquérito, que caminha para a conclusão. Entre eles o de teste DNA feito nos restos mortais, para confirmar a identificação das vítimas de maneira formal.

Delegado fez um balanço positivo do trabalho da Polícia Civil, que desde o início das investigações localizou dez ossadas, identificou os autores e co-autores do crime e encaminhou os restos mortais para identificação.

Próximo passo é concluir o inquérito, encaminhar ao Ministério Público e levar todos os acusados a júri, segundo Obara.

Grupo de extermínio é responsável por pelo menos 16 mortes na região do bairro Danúbio Azul. Com dez ossadas encontradas, DEH encerrou trabalho sem localizar três, já que segundo o delegado, outros três assassinatos confessados pelo criminosos foram com outro modus operandi e inquérito destes três casos segue na 3ª Delegacia  de Polícia Civil.

INDICIAMENTO

A Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij) indiciou 17 pessoas por envolvimento com esquema de tráfico de drogas e exploração sexual de menores.

Além de Nando, foram indiciados: Ariane de Souza Gonçalves, 19; Talita Regina de Souza, 21;, Wagner Vieira Garcia , 24;, Jean Marlon Dias Domingues, 20;, Michel Henrique Vilela Vieira, 21; Andréia Conceição Pereira, Diego Vieira Martins, Rudy Pereira da Silva, Jeová Ferreira Lima, Jeová Ferreira Lima Filho, a mãe e o irmão de Wagner, bem como outras quatro pessoas que não tiveram os nomes divulgados. Rudy  responde apenas por maus-tratos a animais, pois na casa dele havia cerca de 70 galos de rinha.

Entre eles, 11 respondem em liberdade. Continuam presos Nando, Ariane, Talita, Wagner, Jean e Michel, apontados como autores diretos de 13 homicídios ocorridos no bairro desde 2012.

Segundo o delegado Márcio Obara, da Homicídios, ainda não é descartada a hipótese de mais homicídios e de mais vítimas. 

ESQUEMA

Nando coordenava esquema de tráfico de drogas que fomentava o consumo e outros delitos correlatos no bairro. Ele abusava de adolescentes que faziam qualquer coisa para alimentar o vício. Por isso, os convidava para orgias sexuais e trocas de casais com Ariane a Talita, assim como com Jean e Wagner, sendo estes amantes homossexuais de Nando. Eventualmente, tais usuários cometiam pequenos furtos, fazendo com que Nando decidisse matá-los.

As mulheres atraíam as vítimas até o local no Jardim Veraneio, e elas iam sem hesitar, pois já estavam condicionadas aos encontros. Porém, quando chegavam lá, era mortas. O padrão adotado por ele e passado para os comparsas se baseava no homicídio por enforcamento com corda ou estrangulamento com as mãos, pois não gostava de ver sangue. Em seguida, enterrava os corpos de cabeça para baixo, pois desta maneira facilitava a escavação das covas.